VICTOR BALTIMOR.
A cadeira de rodas era uma surpresa que eu não esperava. Quando Elisa apontou o compartimento escondido nos braços e eu levantei as tampas, senti uma mistura estranha de surpresa e alívio. Finalmente algo que me dava um pouco de controle. Testei os comandos com cuidado no começo, movendo a alavanca para frente devagar. Bati na cadeira que estava próxima, mas não desisti.
Logo, a cadeira avançou suavemente, quase sem esforço. Depois tentei virar para o lado esquerdo, depois para o direito. O movimento era preciso, obediente. Em menos de dois minutos, eu já estava conduzindo sozinho pela cozinha, testando aceleração e frenagem.
Uma sensação de liberdade tomou conta de mim. Pela primeira vez desde que acordei naquele hospital, eu não dependia completamente de outra pessoa para me mover. Sorri sem querer. Era bom sentir que ainda podia fazer algo por mim mesmo.
— Gostei disso. Agora posso me levar para onde quiser — falei, a voz mais leve do que pretendia.
Elisa sorriu de volta, e por um segundo aquele sorriso mexeu comigo de um jeito incômodo. Ela brincou dizendo que eu era um mal condutor e eu respondi no mesmo tom, mas por dentro ainda tentava processar tudo. A cadeira era prática, sim, mas não apagava o fato de que eu estava preso nela, temporariamente.
Saber que foi ela que pensou nessa cadeira para mim, foi uma surpresa. Eu gostei.
Então, ela disse que precisava ir limpar Melissa e começou a andar em direção à porta. Eu a segui instintivamente, conduzindo a cadeira atrás dela. Toquei seu braço para pará-la, eu precisava agradecer e saber por que ainda fazia tudo isso por mim, após mandá-la embora?
As palavras dela vieram em seguida, diretas e sem hesitação:
— Ora, meu amor, eu sou sua noiva e mãe de seus filhos e te amo.
Meu corpo inteiro ficou tenso. As palavras bateram em mim como um soco. Noiva. Mãe dos meus filhos. Te amo. Cada uma delas ecoou na minha cabeça. Senti um aperto forte no peito, uma mistura de desconforto, surpresa e algo mais profundo que eu não conseguia identificar.
Meu coração acelerou. Ela disse aquilo com tanta naturalidade, com tanto sentimento, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Mas para mim não era. Eu não lembrava de ter pedido ninguém em noivado. Não lembrava de ter feito filhos.
E ouvir alguém dizer que me amava daquela forma, olhando nos meus olhos, deixou-me sem reação por alguns segundos. Uma parte de mim queria rejeitar aquilo imediatamente. Outra parte, bem no fundo, sentiu um calor estranho que me incomodou ainda mais. Eu não estava preparado para isso.
— Elisa, eu… não… — comecei, mas ela me interrompeu com um tom leve, tentando aliviar o clima.
— Relaxa, primeiro-ministro, sem pressão.
Franzi o cenho, irritado com o título. Por algum motivo, odiei ouvi-la me chamar assim.
— Não me chame assim. É Victor.
Ela pareceu surpresa, mas aceitou.
— Está bem, Victor.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.