ELISA RIVER.
Não gostei da maneira como ele falou, mas evitar estresse era necessário e eu precisava limpar minha filha. Preferi não responder e deixar quieto. Eu já vou me mudar para a edícula mesmo, não terei que aguentar seu jeito autoritário. E será bom manter a distância. Tenho que pensar na minha gravidez.
— Preciso trocar a fralda da Mel. Com licença — comentei e dei um passo em direção à porta, mas ele falou.
— Espere. Quando sair, solicite a alguém para vir me buscar. Preciso de alguém para empurrar essa cadeira — disse Victor, descontente com a cadeira de rodas. Eu não o culpo. Também ficaria, se fosse comigo.
Lembrei-me de uma coisa importante.
— Essa cadeira veio do hospital?
— Não sei. Por quê? Que diferença faz de onde ela veio? — Perguntou impaciente.
— Então, nós compramos uma cadeira de rodas com comandos, assim você mesmo pode conduzi-la.
Victor me olhou surpreso, as sobrancelhas erguidas.
— Onde está essa cadeira? Preciso dela agora. Não quero ter que depender de ninguém.
— Deixe eu ver… — falei enquanto olhava a cadeira em que ele estava sentado. — Você está sentado nela — afirmei.
Victor olhou para a cadeira, depois para mim, confuso.
— Eu não vejo nada demais nela. Parece igual a qualquer outra.
— Mas não é. No braço dela tem um compartimento que esconde o comando. É só abrir que ele ficará à mostra.
Victor levantou uma tampinha do braço direito da cadeira e o comando se elevou, revelando uma alavanca parecida com a de controle remoto de jogo de videogame. Fez o mesmo com o braço esquerdo da cadeira, os olhos brilhando de curiosidade.
— Como isso funciona?
— Acho que cada braço direciona para sua própria direção. Para frente acelera, para trás freia. Não testei…
Eu ainda estava falando quando Victor movimentou a cadeira de repente. Saí da frente dele rapidamente, ficando atrás da bancada. Esse doido vai acabar me atropelando. Ele ficou mexendo nos comandos, testando o que eu havia dito. Não demorou dois minutos para ele pegar o jeito e começar a conduzir a própria cadeira pela cozinha com relativa facilidade.
— Gostei disso. Agora posso me levar para onde quiser — disse ele, sorrindo, visivelmente animado.
Meu coração se alegrou ao vê-lo sorrindo. Fazia tanto tempo que eu não via aquele sorriso genuíno no rosto dele. Por um segundo, parecia o Victor de antes. Ele me olhou, arqueou a sobrancelha e fez uma expressão debochada.
— Pode sair daí, que não vou te atropelar — falou.
— Não pode me culpar por me proteger. Você é um mal condutor — comentei e pisquei, brincando.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.