ELISA RIVER.
Victor piscou várias vezes, como se ele mesmo tivesse sido pego de surpresa pelas próprias palavras. Ele abriu a boca, fechou, abriu novamente. A confusão estava estampada no rosto dele. Eu sentia o coração batendo forte no peito, uma mistura de esperança e medo. Esperança de que algo estivesse voltando. Medo de que fosse só uma faísca passageira.
— Eu… eu não sei — respondeu ele, a voz rouca. — As palavras simplesmente saíram. Como se eu já tivesse dito isso antes. Como se… como se eu já tivesse passado por isso com ela.
— Você passou — falei, sentindo os olhos arderem. — Você passou, uma vez você estava cuidando dela e ela evacuou e você saiu correndo atrás de mim e, quando viu a fralda suja, saiu correndo quase vomitando em nós. Mas depois você aprendeu a trocar fralda e passou muitas noites trocando fralda dela. Mas nunca trocava as fedorentas e ficava reclamando do cheiro, mas sempre ríamos depois. Você a chamava de “minha pequena fedorenta” e depois a cobria de beijos. Você se lembrou disso agora?
Victor passou a mão pelo rosto, visivelmente abalado. Ele olhou para Mel dormindo no meu colo, depois para mim. Havia algo diferente nos olhos dele. Uma rachadura na armadura fria que ele vinha mantendo desde que acordou naquele hospital.
— Eu não sei o que está acontecendo — murmurou. — Sua voz… o jeito como você me olhou mais cedo… agora isso. É como se pedaços estivessem voltando, mas não fazem sentido. Eu ainda não lembro de você como minha noiva. Ainda não lembro de ter autorizado vocês duas a morarem aqui. Mas… quando segurei Melissa… quando reclamei do cheiro… pareceu familiar e vieram as palavras.
Respirei fundo, tentando controlar a emoção que ameaçava transbordar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.