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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 167

ELISA RIVER.

Saber que a voz do sonho de Victor era realmente a minha me deixou esperançosa por um breve momento. Meu coração acelerou, uma faísca de luz surgiu no meio de toda aquela escuridão. Pena que durou pouco. Mesmo reconhecendo minha voz, ele ainda não se lembrava de nós. Não se lembrava dos nossos momentos, dos nossos beijos, das noites em que ele me abraçava e dizia que eu era o único descanso em meio ao caos da vida dele e que me amava. A decepção veio como uma desilusão.

Questionei sobre ele nos mandar embora e o que ele faria, mas ele não soube dizer. O que era raro, já que esse homem sempre teve uma resposta para tudo. Victor Baltimor nunca ficava sem palavras. Vê-lo assim, todo perdido e debilitado, preso naquela cadeira de rodas, partia-me o coração. Eu sentia uma dor profunda no peito, uma mistura de amor e tristeza que quase me sufocava. Eu amava tanto esse homem.

Ficamos em silêncio por um tempo. O único som era a respiração suave de Mel dormindo no colo dele. Eu observava ambos, o pai e a filha, e meu coração se apertava ainda mais. Victor olhava para ela com uma expressão confusa, como se tentasse entender por que segurá-la parecia tão natural e ao mesmo tempo tão estranho.

— Ela dormiu — comentou, olhando para nossa filha e depois para mim.

— Sim, melhor levá-la para o quarto — falei, me aproximando devagar.

— Espera… deixe-a mais um pouquinho aqui. Se mexer agora, Melissa pode acordar. Melhor esperar e ter certeza de que está em sono profundo.

Olhei surpresa para ele. Pois eu disse isso para ele uma vez, exatamente com essas palavras. A frase saiu da boca dele como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— Por que está me olhando assim? — perguntou Victor, arqueando a sobrancelha.

— É que isso que você falou foi eu que te disse uma vez.

— Sério?

— Sim. Você se lembrou de algo. Porque disse isso?

— Eu não sei. Só me veio à cabeça quando te vi se aproximando para pegar Melissa.

— Entendi.

Seu subconsciente, de alguma maneira, estava lembrando, mas devagar. O que era um grande progresso. Victor também não estava mais chamando a filha de “aquela criança”, mas já dizia o nome da Mel naturalmente. Isso me encheu de uma esperança tímida, quase dolorosa.

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