VICTOR BALTIMOR.
Desde o momento em que entrei naquela sala, eu a vi, Elisa.
Meu olhar encontrou o dela imediatamente, como se fosse inevitável, como se algo me puxasse naquela direção sem que eu tivesse qualquer controle sobre isso. Por alguns segundos, tudo ao redor perdeu a importância, e eu fiquei preso naquele olhar.
Havia algo ali. Algo que mexeu comigo de uma forma estranha, incômoda, como se eu estivesse diante de alguém que deveria conhecer… mas não conhecia. Aquilo não fazia sentido. Eu lembrava de tudo, antes desses dezessete meses. Da minha família. Da minha vida. Do meu nome, da minha história, de cada detalhe importante. Mas ela… não. E nem o bebê que diziam ser meu.
E ainda assim, parecia faltar alguma coisa. Eu sentia que havia uma grande lacuna na minha vida. E isso me deixava apreensivo, impotente. Eu não podia perder tanto tempo da minha vida assim. Preciso me lembrar. Virei um desmemoriado.
Aquilo me irritou imediatamente.
Eu não gosto de lacunas. Não gosto de não entender. E será péssimo para minha carreira política quando essa notícia vazar. Posso perder a campanha eleitoral, que aliás já comecei e não me lembro. Meus concorrentes usarão isso para argumentar minha incapacidade de cumprir minhas funções.
Eu estava sentindo raiva, mas sei me controlar. Sempre soube.
Assim que Ceci correu na minha direção e quebrou aquele momento, eu recuperei minha postura como se nada tivesse acontecido. Minha expressão voltou ao normal: fria, controlada. Ninguém ali precisava saber o que se passava pela minha cabeça. Enquanto ela me abraçava, falava comigo, reclamava do meu estado, eu respondia, interagia… mas minha atenção não estava ali.
Estava nela, Elisa.
E na possibilidade de ser ela a mulher do meu sonho. Eu precisava ouvir sua voz e sentir seu cheiro, precisava chegar mais perto dela.
Eu sabia exatamente onde Elisa estava o tempo todo, mesmo sem olhar diretamente. Conseguia perceber sua presença, seus movimentos, o silêncio dela… principalmente o silêncio. E aquilo começou a me incomodar mais do que deveria.
Ela não se aproximou, não falou, nem reagiu. Não fez nada.

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