ELISA RIVER.
Chamei por ele. Ele franziu levemente a testa. Seu peito subiu e desceu em uma respiração mais profunda.
Constatei que ele só devia estar sonhando e não acordando, e suspirei aliviada. Meu coração quase havia saído pela boca quando Victor se mexeu na cama.
Fiquei imóvel ao lado dele, segurando sua mão. Por um momento, tive receio de que ele acordasse de repente e me expulsasse outra vez daquele quarto.
Mas isso não aconteceu, para meu alívio. A que ponto cheguei… Só posso me aproximar do homem que amo quando ele está adormecido. É doloroso, mas assim eu não o prejudico.
Victor se mexeu mais um pouco e voltou a ficar quieto.
Observei seu rosto adormecido por alguns segundos, tentando me convencer de que ele estava realmente descansando. A respiração dele era profunda, tranquila, ritmada.
— Ele continua sedado, Elisa, pode relaxar — falei para mim mesma.
Soltei o ar devagar, percebendo que eu estava prendendo a respiração.
— Você quase me matou de susto agora… — murmurei, passando o polegar sobre os dedos dele.
Fiquei alguns segundos em silêncio, apenas olhando seu rosto.
O quarto estava silencioso. Apenas o som suave dos aparelhos médicos preenchia o ambiente. Meu peito apertou. Era tão estranho estar ali, tão próxima… e, ao mesmo tempo, sentir que existia um abismo entre nós.
Victor não se lembrava de mim. Não se lembrava de nós. Nem se lembrava da nossa filha. As lágrimas começaram a arder nos meus olhos antes mesmo de eu perceber.
Tentei segurar, mas não consegui. Uma lágrima escorreu. Depois, outra. Inclinei um pouco a cabeça, tentando limpar o rosto com a mão livre.
— Desculpa… — sussurrei, mesmo sabendo que ele não podia me ouvir. Apertei um pouco mais a mão dele.
— Prometi a mim mesma que seria forte… mas está difícil.
Minha voz saiu trêmula. Olhei para nossos dedos entrelaçados e senti uma dor profunda no peito.
— Victor… — murmurei.
Minha garganta apertou. Meu coração começou a bater ainda mais rápido.
— Eu estou aqui… — murmurei, aproximando-me um pouco mais.
Passei a outra mão pelos cabelos dele que estavam à mostra, com delicadeza.
— Você não está sozinho.
Victor se mexeu novamente, virando um pouco a cabeça sobre o travesseiro. Seus lábios se entreabriram, como se fosse falar algo. Meu corpo inteiro ficou tenso.
— Victor? — chamei baixinho.
Por um segundo, tive a impressão de que ele iria abrir os olhos. Segurei sua mão com mais firmeza, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair com força.
— Sou eu… Elisa.
Ele respirou fundo outra vez. Então, seu corpo relaxou novamente. Fiquei alguns segundos em silêncio, apenas olhando seu rosto.
— Eu senti tanto a sua falta… tanto medo — confessei em voz baixa.
— Mesmo você me expulsando desse quarto… eu continuarei te amando do mesmo jeito.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.