ELISA RIVER.
Victor continuava imóvel na cama. Mas algo dentro de mim dizia que aquele momento não havia sido em vão. Que, de alguma forma… ele tinha me ouvido. Ou será que era somente minha esperança falando mais alto?
Meu coração apertou com uma mistura de dor e esperança. Eu esperava que ele tivesse ouvido. Queria acreditar nisso com todas as minhas forças. Precisava acreditar. Porque a ideia de que ele nunca mais voltaria a se lembrar de mim… era simplesmente insuportável.
Suspirei, sentindo o peso daquela despedida ainda pressionando meu peito.
Então saí do quarto.
Minha sogra e Thomas me esperavam no corredor. Assim que me viram, os dois se aproximaram. Eles não me perguntaram nada, apenas me abraçaram. E aquele gesto silencioso disse mais do que qualquer palavra poderia dizer naquele momento.
Eu havia encontrado uma família nos Baltimor. Uma família que me acolheu, me protegeu e me amou como se eu sempre tivesse feito parte dela.
E pensar que talvez Victor não se lembrasse de mim… e que, por causa disso, eu tivesse que me afastar deles… me deixava profundamente triste.
— Vamos, Elisa? — perguntou a senhora Abigail com a voz suave, mas carregada de preocupação.
Assenti devagar.
— Sim.
— O carro já está te esperando lá fora. E vai te levar para o hotel, para pegar Melissa. Eleonor e Cecília já cuidaram das suas malas. O avião sairá assim que vocês chegarem ao aeroporto — comunicou Thomas, me olhando com pesar.
Havia uma tristeza silenciosa em seus olhos.
Ele era um bom homem. Me acolheu em sua família quando eu e Ceci ficamos amigas. Depois descobrimos que ele e meus pais foram amigos na juventude, e aquilo acabou nos aproximando ainda mais.
— Obrigada, Thomas — falei, sinceramente agradecida.
Mas, apesar da gratidão, meu coração estava apertado. Ir embora naquele momento parecia errado… como se eu estivesse abandonando Victor no momento em que ele mais precisava.
Mas eu também tinha meus filhos.
E agora, mais do que nunca, precisava pensar neles.
— Eu tenho que colocar meus filhos em primeiro lugar — falei em minha mente.
— Elisa, não se preocupe. Eu irei te manter informada de tudo — garantiu minha sogra, me abraçando novamente.
Abracei-a de volta com força.
— Obrigada.

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