ELISA RIVER.
Eleonor ficou ao meu lado, me dando apoio por algum tempo. Mas vi que ela aparentava estar bastante cansada.
Então, falei para ela que ficaria bem sozinha e que poderia ir descansar. Eleonor tentou recusar, mas a convenci a voltar para o hotel.
Assim, fiquei sozinha por um tempo. Sozinha de verdade. Sem vozes, sem conselhos, sem ordens. Apenas eu, meus pensamentos e o peso de tudo o que estava acontecendo. Eu não conseguia dormir. A hora passava arrastada.
O som constante do monitor cardíaco me lembrava, a cada segundo, que meu corpo estava reagindo a tudo aquilo. Que eu precisava parar. Mesmo que minha mente se recusasse. Fechei os olhos, e a imagem dele veio.
Victor sorrindo daquele jeito raro, torto. A forma como me olhava quando achava que eu não estava prestando atenção. A mão dele sobre a minha barriga, fazendo carinho.
Lembrei dele me paparicando e não me deixando fazer nada, com medo de que algo acontecesse com o bebê.
Suspirei angustiada.
— Não se esqueça da gente… — sussurrei no vazio do quarto. — Por favor. Não esqueça.
Senti uma pontada no peito, forte o suficiente para me fazer levar a mão ao coração. Respirei fundo, lembrando das palavras do médico. “Evite emoções fortes.” Era quase engraçado pedir isso.
Virei a cabeça e olhei para a janela. Do lado de fora, dava para perceber que a madrugada já tinha tomado conta. As luzes do hospital refletiam no vidro e, mesmo ali dentro, era possível sentir o frio intenso daquela região.
Um frio que parecia atravessar paredes e ossos. Meu corpo estava exausto, mas minha mente não parava. Pensar que eu o veria, mesmo sem poder falar com ele, fazia meu coração acelerar e, ao mesmo tempo, doer ainda mais.
Algum tempo depois, a porta se abriu discretamente. Uma enfermeira entrou, trazendo uma bandeja de medicação.
— Boa noite, senhorita Elisa — disse em tom profissional. — Vou aplicar sua medicação. Não consegue dormir?
Assenti em silêncio, enquanto ela ajustava o soro.
— Tente descansar — orientou. — Sua pressão respondeu bem nas últimas horas.
— Vou tentar — respondi, mesmo sabendo que seria impossível dormir.
Quando ela saiu, fiquei encarando o teto. Pensando em Victor.
Em como ele estaria dormindo. Se o rosto dele estaria tranquilo ou marcado pela dor. Se ainda franzia a testa quando sonhava, como costumava fazer.
A madrugada avançou lentamente, pesada, silenciosa. A porta se abriu de novo. A mesma enfermeira entrou para verificar meus sinais vitais. Sorriu para mim.
— Sua pressão baixou um pouco mais. Isso é bom — disse, contente.
— Obrigada — respondi, sem energia.
Quando ela saiu, virei o rosto na direção da janela outra vez. A cidade iluminada parecia indiferente à minha dor. Acabei adormecendo em algum momento, por exaustão.

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