ELISA RIVER.
Respirei fundo, mas o ar não parecia chegar aos meus pulmões. As palavras de Abigail ainda ecoavam na minha cabeça, duras, implacáveis, impossíveis de ignorar. “Victor proibiu sua entrada.”
Aquilo doía muito. Ecoava na minha mente como um golpe repetido, incessante. Fechei os olhos por alguns segundos, tentando impedir que o desespero tomasse conta. Não consegui.
Meu corpo inteiro reagiu. Senti um nó se formar na garganta, os olhos arderam e, antes que eu pudesse impedir, as lágrimas começaram a escorrer, sem que eu tivesse forças para contê-las. Não chorei alto. Nem gritei. Sofri em silêncio, da forma mais dolorosa possível.
— Então é isso… — murmurei, quando consegui falar, a voz quebrada, falhando. — Eu não posso vê-lo. Não posso nem me despedir. Ele realmente não quer me ver?
— Infelizmente… não — confirmou, firme.
Abigail permaneceu sentada, imóvel, observando cada reação minha. O rosto dela não demonstrava prazer naquela revelação, mas também não havia suavidade. Era uma mulher acostumada a tomar decisões difíceis.
— Elisa — disse, suspirando —, Victor não está em condições de lidar com emoções agora. Ele acordou confuso, está irritado, sentindo-se invadido e esqueceu meses da vida dele. Isso não tem a ver com você como pessoa. Meu filho só não te reconhece; você é uma estranha para ele. Sei que isso parece uma punição, mas não é. Pense nisso como uma proteção. Para você. Para seus filhos. E, também, para Victor.
— Proteção? — encarei-a, sentindo a revolta subir. — Sabe o que dói mais? Não é só o fato de ele não se lembrar de mim. É eu não poder ter a chance de vê-lo, de ele poder conviver comigo e me conhecer melhor. Como ele vai se lembrar se tudo o que existe entre nós for arrancado do alcance dele?
Abigail suspirou, cansada.
— Forçar uma presença agora pode criar rejeição. O médico foi claro. Emoções intensas, conflitos, insistência… tudo isso pode fixar lembranças negativas. E você não merece isso. Tenta entender.
As palavras dela faziam sentido. Eu odiava admitir isso.
Passei a mão pelo ventre, instintivamente, como se pudesse proteger meus filhos apenas com o toque. Eles estavam ali. Dependiam de mim. Eu precisava ser forte. Precisava ser racional. Mas como se faz isso quando o amor da sua vida olha para você como se fosse uma estranha interesseira?
Saber que ele tinha me apagado da memória já era cruel. Saber que ele tinha me afastado conscientemente era devastador.
— Saber que estou aqui e, mesmo assim, não poder vê-lo… — minha voz falhou. — Isso dói mais do que eu consigo explicar.
Engoli em seco.
— Eu só queria… — minha voz quebrou. — Eu só queria que ele soubesse que eu estou aqui. Que eu nunca o abandonei. Que nunca abandonaria.
— Ele vai saber — respondeu Abigail, mais suave. — Um dia. Mas esse dia não pode custar a vida ou a saúde de vocês.
O silêncio caiu pesado entre nós.
Abigail suspirou, finalmente se levantou e se aproximou. Ficou parada à minha frente, mantendo a postura impecável.
— Senhora Abigail, eu só queria poder me despedir — falei, angustiada, abaixando a cabeça, derrotada.
— Eu sei — disse em um tom mais baixo. — E é exatamente por isso que precisamos agir com inteligência.
Ergui o olhar, confusa.
— O que quer dizer?

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