ELISA RIVER.
Quando o doutor Antunes disse que Victor havia acordado, meu mundo parou.
Foi como se o tempo tivesse suspendido a respiração junto comigo. Meu coração disparou de um jeito tão violento que parecia que iria explodir de felicidade ali mesmo, na sala de espera. Victor estava acordado. Vivo. Consciente, era uma excelente noticia.
Meu Deus… ele havia vencido.
— Ele acordou há pouco — explicou o médico, com a voz serena, profissional. — Está confuso, o que é absolutamente normal depois de uma neurocirurgia, de um coma de quatro dias e de tudo o que ele passou. Peço apenas que não o deixe nervoso. Qualquer alteração emocional pode ser prejudicial agora.
Assenti automaticamente, mesmo mal conseguindo ouvir direito.
— Vamos realizar alguns exames para avaliar se houve alguma sequela neurológica — continuou. — Mas, por enquanto, ele está reagindo dentro do esperado.
Dentro do esperado.
Aquela frase ecoava na minha mente enquanto eu tentava organizar meus sentimentos. Eu queria correr até ele. Abraçá-lo. Chorar em seu peito. Dizer que o amava, que acreditei que ele sobreviveria àquele inferno e voltaria para mim.
Mas, ao mesmo tempo, um medo estranho se instalava no fundo do meu estômago.
— Podemos vê-lo agora? — perguntou Abigail, a voz embargada.
— Sim — respondeu o médico. — Vamos até o quarto.
O caminho até lá pareceu interminável.
Cada passo no corredor do hospital era uma tortura. O cheiro forte de antisséptico, o frio excessivo, o som distante de aparelhos e passos apressados… tudo parecia mais intenso. Meu coração batia tão alto que cheguei a questionar se todos conseguiam ouvir.
Melissa dormia em meus braços, alheia ao caos que se passava dentro de mim. Apertei-a contra o peito, buscando forças nela.
Quando chegamos à porta do quarto, minhas pernas simplesmente travaram.
— Eu… — minha voz falhou. — Eu não entro primeiro.
Todos me olharam.
— Não sei como vou reagir — confessei, sentindo os olhos arderem. — Quero… quero me preparar.
Abigail segurou minha mão com carinho, entendendo sem precisar de mais explicações.
O médico entrou primeiro. Depois, minha sogra, Thomas, Eleonor e Ceci. Fiquei ali fora por alguns segundos, respirando fundo, tentando me blindar emocionalmente.
Quando finalmente entrei, o choque foi imediato.
Victor estava irreconhecível.
Meu coração se partiu em mil pedaços.
Ele estava deitado na cama, extremamente pálido, com o corpo coberto por lençóis e cobertores hospitalares. A cabeça estava completamente enfaixada, do topo até quase a testa, com fios saindo por todos os lados, ligados a monitores que apitavam constantemente. Havia hematomas escuros no rosto, nos braços, no pescoço. Um curativo grande cobria parte do abdômen. Seu tórax estava parcialmente imobilizado, e cada respiração parecia exigir esforço.
Ele parecia… frágil.
O homem forte, arrogante, imponente que eu conhecia não estava ali. No lugar dele, havia alguém quebrado, machucado, lutando para existir.
Senti que minhas pernas estremeceram. Eu queria correr até ele, mas meu corpo não respondia. Então, nossos olhares se encontraram.
Por um segundo, meu coração disparou de alegria ao vê-lo vivo.
Mas essa alegria morreu no instante seguinte. O olhar dele passou por mim… e não parou.
Não havia reconhecimento. Não havia emoção. Não havia nada.
— Quem é você? — perguntou ele, a voz rouca, confusa, mas fria. — Por que está aqui no meu quarto?

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