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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 115

VICTOR BALTIMOR.

A primeira coisa que senti foi dor.

Não era uma dor específica, localizada. Era um peso espalhado pelo corpo inteiro, como se eu tivesse sido atropelado por algo enorme e depois deixado ali, esquecido. Meus músculos não respondiam direito, minha cabeça parecia envolta em algodão, e cada tentativa de pensar resultava em um vazio estranho, desconfortável.

Abri os olhos com dificuldade.

A luz branca me agrediu imediatamente, me obrigando a fechá-los de novo. Meu coração acelerou sem motivo aparente. Respirei fundo, tentando me orientar, tentando entender onde eu estava.

Quando consegui abrir os olhos novamente, enxerguei um teto branco, liso, com luzes embutidas. Havia um bip ritmado vindo de algum lugar ao lado. Um som mecânico, constante.

Hospital.

A palavra surgiu na minha mente com clareza suficiente para me deixar alerta.

Tentei me mexer, mas um choque de dor percorreu meu corpo, arrancando um gemido involuntário da minha garganta. Minha própria voz soou estranha, fraca, como se não fosse minha.

— Senhor Baltimor? — ouvi uma voz feminina, surpresa.

Virei o rosto com dificuldade e vi uma enfermeira se aproximando rapidamente. Ela usava uniforme claro, uma máscara, um estetoscópio pendurado no pescoço e um olhar atento demais para alguém que apenas passava pelo corredor.

— O senhor acordou — disse ela, aproximando-se da cama. — Fique calmo, não tente se mexer.

— Onde… — minha garganta estava seca, cada palavra exigia esforço. — Onde eu estou?

— No hospital central de Baker Lake — respondeu, gentil, ajustando algo no soro ao meu lado.

Baker Lake?

Meu cérebro travou.

— Baker… Lake? — repeti, confuso. — O que eu… — tentei lembrar. — O que aconteceu?

Ela me lançou um olhar rápido, avaliador.

— Vou chamar o médico — disse apenas. — Ele vai explicar tudo com calma.

Aquilo não me tranquilizou nem um pouco.

Com calma? Por que alguém precisaria explicar uma pergunta tão simples, com calma? E por que minha cabeça doía tanto quando eu tentava puxar qualquer lembrança?

Fechei os olhos por alguns segundos, tentando me concentrar. Tudo estava escuro. Nenhuma imagem. Nenhuma memória recente. Era como se minha mente tivesse sido apagada até certo ponto.

Isso não era bom. Definitivamente não era bom.

Ouvi passos apressados e, quando abri os olhos novamente, um homem estava no quarto. Alto, cabelos grisalhos, postura firme. Ele me parecia… familiar.

— Victor — disse ele, com um leve sorriso contido. — Bom ver você acordado.

Victor. Meu nome soou estranho nos ouvidos, mas ao mesmo tempo certo.

— Eu… — engoli em seco. — Eu conheço você?

O homem não pareceu ofendido. Pelo contrário, assentiu lentamente.

— Sim. Sou o doutor Antunes.

Doutor Antunes.

O nome acendeu algo na minha mente, como uma faísca isolada em meio ao breu.

— Antunes… — murmurei. — Baker Lake… — forcei a memória. — Você é… o médico do hospital daqui.

— Exatamente — confirmou. — Já nos conhecemos antes.

Aquilo só aumentou minha confusão.

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