ELISA RIVER.
Um dia inteiro se passou. Vinte e quatro horas que pareceram semanas.
Nenhuma ligação com novidades. Nenhuma mensagem dizendo que ele havia evoluído. Nada de boas notícias e eu estava enlouquecendo com aquela espera sem fim.
Cada minuto daquela espera era como uma lâmina lenta me cortando por dentro. Eu tentava me distrair com Melissa, fingir normalidade, mas minha mente estava o tempo todo no mesmo lugar: naquele leito de hospital, naquela UTI fria, com Victor entre a vida e a morte.
Naquela primeira noite, eu quase não dormi. Cada vez que fechava os olhos, imagens horríveis surgiam. O avião estava caindo. O corpo dele sozinho no meio do gelo, o silêncio, o frio. Eu acordava assustada, com o coração disparado, apertando Melissa contra mim, como se ela fosse minha âncora com o mundo real.
— Vai ficar tudo bem, Eli — Ceci repetia, sempre que me via inquieta demais. — Ele é forte.
Ela tentava me consolar e fazer-me sentir melhor. Mas eu sabia que ela estava sofrendo também.
Eu queria acreditar. Precisava acreditar nas suas palavras.
Na manhã seguinte, o telefone tocou. Meu corpo inteiro congelou quando vi o nome de Thomas na tela. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei o celular cair.
— Alô? — atendi, sem fôlego.
— Elisa — a voz dele soou cansada, mas diferente. Menos pesada. — O Victor apresentou melhora.
Senti minhas pernas falharem. Sentei-me na cama imediatamente.
— Como assim… melhora? — perguntei, com medo de criar esperança demais.
— Ele ainda está em coma, mas os sinais vitais estão mais estáveis. A pressão intracraniana diminuiu um pouco. Os médicos dizem ser um bom sinal.
Fechei os olhos, deixando as lágrimas caírem.
— Graças a Deus… — sussurrei.
— Ainda é cedo, mas ele está evoluindo — completou Thomas. — Se continuar assim, logo ele acordará.
Senti-me esperançosa com a notícia.
Depois daquela ligação, passei a viver em um ciclo estranho de angústia e esperança. Assim foi por três dias.
Todos os dias, sem exceção. Eu recebia notícias de Thomas e me mantinha firme e confiante.
Eu deixava Melissa com Ceci ou com Eleonor no hotel, sempre revezando, porque não conseguia me afastar dela por muito tempo. Ia ao hospital, sentava naquela sala de espera fria, encarava aquelas paredes brancas e aguardava qualquer notícia. Às vezes, ficava horas sem ouvir nada. Outras vezes, um médico passava apenas para dizer que o quadro permanecia estável.
Estável. Eu odiava aquela palavra.
Pablo, por outro lado, evoluiu rápido. Ele estava abatido, visivelmente traumatizado, mas fisicamente bem. Logo recebeu a notícia de que teria alta em breve.
No segundo dia, quando finalmente pude vê-lo por alguns minutos, ele segurou minha mão com força.
— Se não fosse o Victor… — a voz dele falhou. — Eu não estaria aqui.
— O que você quer dizer? — perguntei, sentindo um nó se formar no estômago.
Pablo respirou fundo, os olhos marejados.
— Ele cuidou de mim o tempo todo. Mesmo machucado, mesmo com dor. Dividiu comida, tentou me manter bem e aquecido. Dizia que eu não podia desistir. Que tinha que sobreviver. — Ele engoliu em seco. — Os outros… não resistiram. Todos morreram. Mas Victor cuidou de alguns deles, que ainda estavam vivos, antes daquela explosão. Ele não desistiu de mim.
Meu peito doeu de uma forma quase física.

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