PABLO ALVES.
Tudo aconteceu rápido demais.
Um segundo, Victor ainda estava de pé, respirando aliviado, dizendo precisar voltar para casa. No outro, o corpo dele simplesmente cedeu, como se toda a força que o manteve vivo até ali tivesse ido embora de uma vez.
— Victor! — gritei, desesperado, tentando me levantar e ir até ele.
Mas senti uma mão firme no meu peito me impedindo.
— Senhor, não se mexa! — disse o enfermeiro, me segurando. — Fique onde está!
— Me solta! — rosnei, o pânico subindo pela garganta. — Ele caiu! Ele precisa de ajuda!
— Já estamos cuidando dele — respondeu o homem, firme, mas sem agressividade.
Vi dois médicos se ajoelharem ao lado de Victor. Um deles colocou rapidamente a mão em seu pescoço, verificando o pulso. O outro abriu a jaqueta dele e começou a examinar o tórax.
— Está inconsciente — disse um deles. — Pressão baixa.
— Pupilas reagindo irregularmente — falou o outro, apontando uma lanterna para os olhos de Victor.
Meu coração martelava no peito. Eu tentava enxergar melhor, mas tudo parecia confuso. O barulho das hélices, o vento gelado, a adrenalina… e o medo.
— Ele bateu a cabeça na queda — expliquei rápido. — Ficou a noite inteira acordado. Passou horas no frio.
O médico assentiu, concentrado.
— Há um corte aqui — disse, afastando o cabelo de Victor. — E um inchaço significativo.
Ele passou a mão com cuidado pelo abdômen dele, pressionando levemente.
— Ele pode estar com hemorragia interna, tem um ferimento no abdômen e fratura nas costelas — concluiu, sério. — Precisamos levá-lo imediatamente para o hospital.
— Agora — completou o outro médico. — Os dois. Preparem a evacuação — disse, firme.
— Os dois? — perguntei, confuso, pois achava que meu caso era só um braço quebrado.
— Você também precisa de atendimento — disse ele, olhando para meu braço. — Essa fratura não pode esperar. Precisa de uma cirurgia, e rápido, ou pode perder esse braço — declarou. Olhei assustado.
E não discuti. Não tinha forças nem cabeça para isso. Só conseguia olhar para Victor, imóvel, pálido demais, o rosto sujo de sangue seco e neve.
Eles o colocaram na maca com cuidado e começaram a levá-lo para o interior do helicóptero.
— Calma — disse o enfermeiro. — Estamos cuidando dele.
Meu braço estava queimando de dor. Senti algo ser aplicado no meu braço. Assim que entramos no helicóptero, as portas se fecharam e o piloto decolou quase imediatamente.
O voo foi um borrão. Acho que me deram um analgésico potente.
O médico falava termos técnicos, monitorava sinais vitais, ajustava equipamentos. Eu só conseguia olhar para Victor. Ele respirava, mas parecia frágil demais para alguém que sempre foi indestrutível aos meus olhos.
— Ele vai ficar bem? — perguntei, com a voz rouca.
O médico me olhou por um instante antes de responder.
— Ele chegou até aqui vivo — disse. — Isso já diz muito. Agora depende do atendimento rápido no hospital.

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