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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 107

VICTOR BALTIMOR.

O som voltou outra vez, mais forte, m

ais próximo, rasgando o silêncio branco daquele inferno gelado. Não era o vento. Não era imaginação. Era um som mecânico, grave, contínuo, fazendo o ar vibrar ao nosso redor.

— Você está ouvindo isso? — perguntei, com a voz falhando, sem ousar me mover, sem conseguir tirar os olhos do horizonte.

Pablo já estava de pé, apoiando-se como podia, os olhos arregalados, o rosto sujo, barba por fazer, os olhos fundos pela exaustão. Por um segundo, achei que ele não responderia. Seus olhos estavam fixos no horizonte branco.

— Estou… — respondeu, engolindo em seco. — Não é coisa da nossa cabeça, não é?

O ruído cresceu, grave, ritmado. Inconfundível. Ficando cada vez mais claro. O coração começou a bater descompassado no meu peito, tão forte que parecia querer escapar. Minhas mãos tremiam, não sabia se de frio, de cansaço ou de esperança.

— Não é coisa da nossa cabeça — falei, mais para mim do que para ele. — Não é.

— Victor… se for o que eu estou pensando… — ele não conseguiu terminar a frase.

Então vimos.

No meio daquele céu pesado, cinzento, quase sem contraste com a neve, uma sombra surgiu. Pequena no início, distante, mas se movendo. Crescendo. Ganhando forma.

O som ficou ensurdecedor à medida que ele se aproximava. As hélices cortavam o ar com força, levantando redemoinhos de neve ao redor. Meu coração parecia prestes a explodir.

— É um helicóptero — falei, sentindo o coração disparar de um jeito quase doloroso. — Pablo… é um helicóptero.

Por um segundo, ficamos apenas ali, parados, como se qualquer movimento pudesse fazer aquilo desaparecer. Então, ao longe, entre o céu cinzento e o branco da neve, ele surgiu. Pequeno no início, quase uma sombra, mas real. Muito real.

— Eles nos encontraram… — Pablo murmurou, a voz quebrando. — Nós conseguimos.

Foi ali que a ficha caiu de verdade. Nós não íamos morrer naquele lugar.

Não pensei. Apenas o abracei. Forte. Desajeitado. Dois homens quebrados tentando se manter de pé à base de pura vontade. Senti o corpo dele tremer contra o meu. Estávamos machucados, sujos, exaustos, se segurando como se aquilo fosse a única coisa que nos mantinha de pé.

— Nós estamos vivos — falei, com a garganta fechada. — Ouvi? Vivos. Você conseguiu, Pablo. Nós conseguimos.

Ele riu, um riso curto, quase um soluço.

— Como você disse, eu ainda tenho muitos anos para te servir, lembra? — brincou, mesmo com a dor evidente.

— Cala a boca — respondi, com um sorriso torto. — Você ainda vai reclamar muito da vida comigo.

O helicóptero se aproximou rápido e desceu com cuidado, pousando a alguns metros de nós. O vento levantado pelas hélices fez a neve girar ao nosso redor. Protegi os olhos com o braço, o coração batendo descompassado. Meus olhos ardiam, minha cabeça latejava.

Quando a aeronave estabilizou e a porta lateral se abriu, vi o símbolo pintado na lateral era inconfundível. Senti minhas pernas amolecerem e fraquejaram.

Era um helicóptero de um dos meus hospitais. Com certeza foi minha família que enviou para ajudar nas buscas.

O alívio veio como uma onda violenta. Tão forte que quase me derrubou.

Senti uma pressão enorme no peito, como se finalmente pudesse respirar depois de dia submerso.

Dois homens saltaram do helicóptero, correndo na nossa direção. Usavam roupas térmicas, capacetes, mochilas médicas presas ao corpo.

— Senhor Baltimor! — um deles gritou, quase incrédulo, olhando para mim e para o destroço — Meu Deus… graças a Deus, o senhor está vivo!

Pisquei algumas vezes, tentando focar. A voz dele parecia distante demais.

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