ELISA RIVER.
Quando voltei a mim, o mundo parecia distante, abafado, como se eu estivesse debaixo d’água. Vozes vinham e iam, fragmentadas, desesperadas. Senti mãos me segurando, alguém chamando meu nome com insistência.
— Elisa… Elisa, respira… — a voz de Ceci tremia.
Abri os olhos devagar. Estava deitada no sofá. Um copo com água próximo ao meu rosto, o cheiro forte de algo amargo, que depois percebi ser amoníaco. Minha cabeça doía, e meu peito parecia comprimido por algo invisível.
— Ela acordou, graças a Deus — ouvi Eleonor dizer, aliviada.
Tentei me sentar, mas uma tontura me fez fechar os olhos novamente.
— Fica deitada — disse minha sogra, a voz firme, mas quebrada por baixo da autoridade habitual. — Não se mexa.
— O Victor… — foi a primeira coisa que consegui dizer. Minha voz saiu fraca, quase irreconhecível. — O que aconteceu com o Victor?
O silêncio voltou a se instalar, pesado, cruel.
— Ainda não sabemos — respondeu Thomas, com cuidado. — O avião desapareceu dos radares. As buscas já começaram, mas infelizmente não temos notícias.
Enquanto falava, o celular em sua mão tocou, e ele se afastou para atender.
— Desapareceu? — repeti, sentindo o pânico crescer de novo. — Como assim, desapareceu?
Ninguém soube me responder. Estavam todos perdidos com aquela notícia.
Thomas encerrou a ligação e se aproximou.
— O contato foi perdido durante a madrugada — explicou. — O plano de voo era por uma região difícil. Remota. As equipes de resgate já foram acionadas. Estão tentando chegar à última localização do avião.
— Mas como um avião some? Foi falha mecânica, ou turbulência, ou uma tempestade? — perguntou Eleonor.
— Não sabem informar. Mas ontem teve uma tempestade naquela área. Espero que meu irmão esteja bem.
Balancei a cabeça em negação. Aquilo não fazia sentido. Victor era cuidadoso. O avião era revisado. Ele não gostava de erros e nunca se colocaria em risco, nem aos outros. Isso não era justo conosco, agora que estávamos começando uma família e sendo felizes.
— Não… — sussurrei. — Ele ia voltar hoje. Hoje…
Levei a mão à barriga, instintivamente. Um soluço me escapou.
— Ele prometeu — falei entre soluços.
Ceci sentou-se ao meu lado e me abraçou com força.
— Eli… nós vamos encontrá-lo — disse, chorando. — Meu tio é forte. Ele vai voltar.
Queria acreditar. Precisava acreditar. Mas algo dentro de mim gritava de medo. Um medo primitivo, dilacerante, que me rasgava por dentro. O avião sumiu do radar, isso significava duas coisas: ou fizeram um pouso de emergência, ou caíram. E, se caiu, a chance de sobrevivência era mínima. Me desesperei com meus pensamentos.

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