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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 104

ELISA RIVER.

Quando a doutora Erica disse haver algo estranho, meu coração quase parou. Eu estava deitada, com Cecília de um lado e senhora Abigail do outro, segurando minhas mãos, enquanto Victor acompanhava tudo pelo telefone. O silêncio daquele segundo pareceu eterno. Pensei no pior. Pensei que algo estivesse errado comigo, com o bebê… meu bebê, será que é algo grave?

— Desculpe, Elisa — a médica disse, logo em seguida. — Não há nenhum problema. Mas descobri uma coisa… são gêmeos.

Gêmeos.

A palavra ecoou dentro de mim como um trovão. Senti o ar faltar, os olhos arderem, e as lágrimas vieram antes mesmo de eu conseguir entender direito o que estava acontecendo. Dois corações. Dois bebês. Dois filhos crescendo dentro de mim. Levei a mão à boca, rindo e chorando ao mesmo tempo.

— Gêmeos? — ouvi minha própria voz sair fraca, desacreditada.

Do telefone, ouvi a respiração de Victor falhar por um instante. Depois, a voz dele, embargada, emocionada, dizendo ser uma ótima notícia. Meu peito se encheu de algo quente, forte, quase dolorido. Olhei para a tela, tentando gravar aquele momento para sempre.

— Ouviu isso, Victor? — falei, chorando e sorrindo. — Teremos gêmeos.

Naquele instante, tudo pareceu possível. Medos, ameaças, inseguranças… tudo ficou pequeno diante da ideia de duas vidas crescendo dentro de mim. Saí do consultório em estado de êxtase, com recomendações, datas marcadas e o coração completamente tomado.

Aquela semana passou como se eu estivesse flutuando. Eu pensava nos bebês o tempo todo. Em como seriam. Se seriam meninos, meninas, um de cada. Pensava em Victor. Pensava na família que estávamos formando, mesmo com tudo conspirando contra nós. Falávamos todos os dias, várias vezes ao dia. Pela manhã, à tarde, à noite. Ele perguntava de Melissa, que agora ele chamava de Mel sem nem perceber. Perguntava de mim, dos bebês, se eu estava me alimentando bem, se estava descansando.

Eu estava ansiosa. No sábado, Victor voltaria para casa. Preparei tudo em silêncio. Combinei com os funcionários, pensei no cardápio, escolhi as flores. Queria um jantar simples, íntimo. Queria olhar para ele e dizer que o amava. Agora eu sabia. Não era só paixão. Era amor. Um amor que cresceu no meio do caos, do medo, da proteção.

A sexta-feira à noite foi perfeita. Tive um jantar leve, coloquei Mel para dormir, fiquei imaginando o rosto de Victor ao me ver. Adormeci com um sorriso no rosto, sonhando com o abraço dele.

Na manhã de sábado, acordei cedo. Peguei Melissa no colo, ainda sonolenta, cheirando a sabonete e leite. Saí do quarto tranquila, sorrindo, pensando no dia que estava começando.

Quando cheguei à sala de estar, algo estava errado.

O ambiente estava pesado demais. Ceci chorava, o rosto vermelho, os olhos inchados. Eleonor tentava amparar senhora Abigail, que parecia sem forças, sentada, pálida. Thomas andava de um lado para o outro, falando ao telefone, com a voz baixa, tensa, aflita.

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