Nora, ainda sonolenta, curtia as postagens com seus dedos delicados. Entre um clique e outro, o cansaço venceu; ela simplesmente abraçou o tablet e se entregou ao sono, esquecendo-se até de puxar o cobertor.
No entanto, a Mansão nº 1 possui aquecimento de piso, o que mantém todos os ambientes com uma temperatura agradável e acolhedora, sem o risco de alguém se resfriar. Nora achou que teria uma noite difícil em um quarto estranho, mas, para sua surpresa, adormeceu profundamente sem precisar de qualquer auxílio.
Para quem sofre constantemente de insônia e já tentou de tudo — de leite morno a canções de ninar — sem sucesso, dormir direto até o amanhecer foi um verdadeiro milagre! Ao despertar, ela se espreguiçou e notou que a luz do dia já inundava o quarto; parecia ter dormido por uma eternidade.
Ao descer as escadas após se arrumar, encontrou a sala mergulhada em um silêncio tranquilo, sendo recebida apenas pela Tia Maria, que exibia um semblante gentil.
"Senhorita Nora, você acordou! O café da manhã está servido. O que gostaria de comer? Posso trazer para você", ofereceu a Tia Maria.
Nora, que não está acostumada a ser servida, respondeu prontamente: "Obrigada, Tia Maria, mas eu mesma posso me servir."
A governanta, porém, pensou logo na reação da patroa: "Como poderíamos deixar uma convidada preparar o próprio desjejum? Se a Luana descobrir, vai achar que não estamos cuidando bem dela!"
"Não precisa se preocupar, eu busco. Conheço a cozinha como a palma da minha mão", insistiu a Tia Maria, fazendo uma breve pausa. "O que prefere? Hoje temos croissant/brioche e cappuccino, pão italiano com geleia (pane e marmellata). Tem também frutas, iogurte ou torradas e mel. O pão com óleo e sal, a famosa bruschetta, ocidental, também temos sanduíches e bolos."
Nora ficou impressada com a variedade; só de ouvir o cardápio, sentiu água na boca. Ela imaginou o trabalho que daria preparar tudo aquilo sozinha. "A senhora se esforçou muito", comentou com gratidão.
A Tia Maria simpatizou imediatamente com Nora. Ela a achou simples, elegante e dona de uma beleza serena, como se tivesse saído de uma pintura clássica. Era o tipo de pessoa que trazia paz ao ambiente.
“Não foi trabalho algum. A casa é grande e tem muita gente para alimentar, mas a Luana contratou ajudantes para me auxiliar. Além disso, o Velho Curie e o Tio Angelo sempre aparecem para dar uma mãozinha”, explicou a Tia Maria.
Como Nora não conseguiu escolher, a governanta trouxe um pouco de cada iguaria. Tudo estava tão apetitoso que, em pouco tempo, a jovem limpou a mesa.
A Tia Maria ficou secretamente chocada. Jamais imaginaria que alguém tão esguia como Nora tivesse um apetite tão voraz! Percebendo o olhar de surpresa, Nora sorriu, encabulada: "Me desculpe... estava tudo tão gostoso e eu estava com tanta fome que acabei exagerando."
"Não se desculpe, está tudo aqui para você! Se ainda tiver fome, tem mais na cozinha", respondeu a Tia Maria com um sorriso materno. Ela pensava consigo mesma que um bom apetite era sinal de saúde vibrante — uma ótima notícia para o Velho Curie e para o patrão, que certamente ficariam radiantes ao saber.
"Chega! Acho que minha capacidade de luta chegou ao limite", brincou Nora, olhando para a barriga levemente saliente. "Estou satisfeita." Sem querer, ela acabou soltando um pequeno arroto. Por sorte, apenas a Tia Maria estava presente, caso contrário, o constrangimento seria total. "Realmente, não cabe mais nada."
Nora olhou em volta. Estava ali há um bom tempo e não tinha visto ninguem. Para onde todos teriam ido?
"Ahhhh..." Nora não conteve a frustração e soltou um longo lamento enquanto bagunçava o cabelo.
"Professora Nora, o que houve?"
Uma voz infantil, clara e melodiosa, soou na porta, assustando-a. Ela se enrijeceu e olhou para trás. Só então percebeu que, na pressa de mudar o apelido no celular, esqueceu a porta aberta! Ela se deixou levar e esqueceu que aquele era território alheio. Agora, havia cinco crianças enfileiradas na entrada observando-a.
"Ah, não é nada, estou bem!", disse Nora, sem jeito.
"Professora, este é o nosso colega, Enzo. Ele veio nos visitar hoje", apresentou Lucca.
Nora forçou um sorriso e cumprimentou o pequeno visitante.
"Professora, você disse agora pouco que não trouxe maquiagem... quer se produzir?", Mia entrou correndo e perguntou em voz baixa, com um olhar cúmplice.
Nora murmurou um "sim" tímido. Mia logo puxou a mão dela: "Professora, venha comigo agora mesmo!"

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