A tensão no carro mudou tudo. Nora sentia o clima pesado, mas de um jeito eletrizante.
"O que foi?" Carlo parou o carro no semáforo e olhou para ela, notando seu desconforto.
Para evitar o cerco dos fãs, Carlo fez questão de dirigir pessoalmente. Embora pudesse sentir o olhar discreto de Nora durante todo o trajeto, ele fingiu não notar até que ela começou a puxar a gola da camisa, como se o ar estivesse subitamente escasso. Ele virou o rosto e viu que as bochechas dela estavam vermelhas, quase em chamas.
"Desculpe, estou com um pouco de calor", sussurrou Nora. "Você poderia baixar um pouco a temperatura?"
Carlo a observou com serenidade. "Você não precisa me pedir permissão para essas coisas. Sinta-se em casa."
Nora respondeu com um "está bem" quase inaudível. No momento em que ela estendeu a mão para o painel, a mão de Carlo fez o mesmo. Os dedos se tocaram e, como se tivessem levado um choque elétrico, ambos recuaram rapidamente. O sinal ficou verde e Carlo, tentando recuperar a postura, disse: "Pode ajustar você."
Logo chegaram ao estacionamento subterrâneo do shopping. Estrategista, Nora sugeriu: "Vou descer primeiro para comprar os ingressos. Você sobe daqui a uns quinze minutos e me encontra. Vou deixar seu ingresso na recepção."
Carlo olhou para ela, entre o divertimento e a exasperação. "Temos um encontro perfeitamente legítimo, por que todo esse mistério?"
"Porque não quero chatear seus fãs", explicou ela. Como fã incondicional, Nora lembrava de uma enquete famosa no fórum: "Se o Carlo namorasse outra pessoa, você ficaria triste?". A maioria das respostas era dramática, dizendo que "sentiriam vontade de morrer".
Se não fosse pelo trabalho, ela adoraria ter sido administradora do fã-site oficial. Ela até tinha o contato da gerente do fã-clube no Chat e sabia que a moça era perdidamente apaixonada por ele. Ontem mesmo, o clima nos "Momentos" do aplicativo estava tenso; a administradora postou que estava sofrendo por não saber quem era a namorada de Carlo e se ela cuidaria bem dele. Nora sentiu um impulso de confessar, mas se conteve para não sobrecarregar o amado.
Carlo suspirou e acariciou o topo da cabeça dela. O cabelo era macio, lembrando-o da textura do cabelo de Mia. "Você está sempre pensando nos outros. Às vezes, deveria ser um pouco egoísta e colocar seus próprios sentimentos em primeiro lugar", disse ele, com os olhos transbordando carinho.
Nora sentiu-se protegida, como um pequeno animal acolhido. Devido às suas experiências de infância, sendo jogada de um lado para o outro por parentes, ouvir que ela deveria pensar em si mesma a tocou profundamente.
Nora tinha acabado de entregar as instruções à recepcionista quando uma voz estridente e carregada de sarcasmo soou logo atrás dela.
"Ora, ora... se não é a minha prima 'problemática'. Coitadinha, e ela continua vindo ao cinema sozinha, sem ninguém para acompanhá-la."
Sem precisar se virar, Nora já sabia exatamente de quem se tratava: era Drika, a filha do seu tio. Três anos mais nova e formada em pedagogia, a prima guardava um rancor profundo. No passado, Drika implorou por uma indicação de emprego, mas Nora recusou, pois a formação dela não atendia aos critérios rigorosos da escola onde trabalha.
Para o tio e para a prima, o fato de Nora ter morado com eles na infância criava uma "obrigação" eterna de gratidão. Espalhavam para quem quisesse ouvir que ela era uma ingrata. Nora, exausta de discussões estéreis, limitava-se a entregar presentes nos feriados e ir embora, mesmo ouvindo que "presentes não valiam nada" e que eles preferiam dinheiro vivo.
Mais tarde, Drika conseguiu um cargo em uma instituição de treinamento e, com um salário que acabou superando o de Nora, passou a desprezá-la com ainda mais vigor. Ao cruzar com ela hoje, a prima não resistiu à oportunidade de uma provocação mordaz. Nora apenas lhe lançou um olhar indiferente e se afastou; não pretendia gastar um segundo de seu encontro com aquela negatividade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO CEO: OS TRÊS PEQUENOS GÊNIOS