As fotos que a mãe de Marcelo acabara de receber não foram fáceis de conseguir. Afinal, capturar uma imagem nítida de alguém dentro de um carro em movimento exige habilidade. Mesmo assim, a família não precisava de provas visuais para confiar em Vivian; o apoio a ela era incondicional e absoluto.
— Essa é a nutricionista que eu contratei para a Vivian! — exclamou Marcelo, sentindo a fúria e a injustiça crescerem novamente. — Eu tinha acabado de buscá-la no aeroporto. Queria fazer uma surpresa, mas assim que chegamos, levei um soco na cara!
Luana pegou a foto e arregalou os olhos, perplexa:
— Hilda Cameron?
— Sim, é a Hilda — confirmou o relatório.
Vivian parou de chorar por um instante e encarou Luana com o olhar confuso:
— Luana, você a conhece?
— A Hilda e meu irmão, Heitor, foram namorados de infância — explicou Luana. — Ouvi dizer que chegaram a se casar, mas acabaram se divorciando por motivos bem complicados. Meu irmão voltou dos Estados Unidos só para procurá-la e tem tentado reconquistá-la desde então.
Marcelo explodiu, indignado:
— Que diabos! Então aquele louco é o seu irmão?!
— Que louco? — Luana perguntou, sem entender. Mas, ao notar o inchaço avermelhado no olho direito de Marcelo, ela compreendeu tudo imediatamente. — Ah... entendi.
A confusão, porém, ainda não fazia sentido para Luana:
— Mas é muito estranho... A Hilda é uma cirurgiã plástica renomada na cidade vizinha. Como ela acabou se tornando a nutricionista que você contratou?
— Como eu ia saber? — Marcelo respondeu com o semblante sombrio. Se ele tivesse a menor ideia de quem ela era, jamais a teria chamado. Ser acusado de traição pela própria esposa já era ruim o suficiente, mas apanhar fisicamente foi o golpe final para sua mente e seu corpo.
Ele respirou fundo e tentou manter a calma:
— Eu já disse que sou inocente. Se você não acredita em mim, vou trazê-la aqui agora mesmo para provar.
Marcelo esperava que Vivian cedesse e confiasse na sua palavra, mas a resposta dela foi curta e direta:
— Está bem. Vá e traga a pessoa.
No fundo, Marcelo sentiu o peso daquela frase: ela ainda não confiava nele. Ao lado, sua mãe o observava com um olhar que dizia claramente: "Você esqueceu do tipo de pessoa que costumava ser antes?".
Ele queria gritar que tinha mudado, mas agora, o único jeito era buscar Hilda e esclarecer aquela bagunça de uma vez por todas
Vivian encarou Marcelo, sua voz soando firme apesar do clima tenso: — E quem disse que nós precisamos de uma nutricionista?
Percebendo o clima pesado, Luana tentou intervir para acalmar os ânimos: — Irmão, Hilda, vocês estão livres? Vamos jantar juntos? — sugeriu ela, tentando ser diplomática.
— Desculpe, eu não... — começou Hilda, pronta para recusar.
— Eu sei que você acabou de desembarcar e ainda não comeu nada — interrompeu Heitor, com a voz suave e carregada de preocupação. — Você deve estar morrendo de fome. Precisa comer algo, ou aquele seu problema antigo vai voltar.
Ele se referia à doença estomacal crônica de Hilda, fruto de anos de alimentação irregular. Era uma condição difícil de tratar, que exigia cuidados constantes que ela costumava negligenciar.
Hilda, porém, não viu carinho nas palavras dele, apenas audácia. Ela o encarou com fúria e disparou: — Dr. Curie, você está entediado?!
Heitor ficou sem reação. Ele não fazia ideia de como — ou quando — a havia irritado novamente; estava apenas tentando cuidar da saúde dela. Mas, antes que ele pudesse articular qualquer defesa, Hilda deu as costas, agarrou a mão de Luana e saiu andando.
Luana ainda olhou para trás, lançando um olhar de advertência ao irmão que dizia claramente: "Deixe a Hilda comigo. Não faça nenhuma bobagem agora!"
Só quando percebeu que Heitor não as estava seguindo é que Hilda finalmente relaxou os ombros e soltou um suspiro de alívio. — Luana, só você para me salvar de uma dessas — desabafou ela.
Luana a levou até uma cafeteria tranquila, um refúgio longe da confusão. Conhecendo bem os gostos da amiga, escolheu uma mesa em um canto reservado. Entre o som da música relaxante e o aroma do café, Hilda finalmente começou a se acalmar.
Sentindo que o ambiente estava propício para uma conversa honesta, Luana foi direta, mas gentil: — Irmã Hilda... o que realmente está acontecendo entre você e o meu irmão?

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