Estevão já passou por muitas dificuldades, o que o tornou alguém que evita incomodar os outros e raramente faz pedidos. Seus mentores, Carlo e James, sempre acharam que ele era "bem-educado" até demais, chegando a uma obediência excessiva. Eles costumavam aconselhá-lo: "Não seja tão reservado. Os assistentes são pagos para servir aos artistas. Você pode ser gentil, mas não trate seu assistente como uma estátua de Buda, ou acabará servindo a ele em vez de ser servido."
Lorena, incentivando-o, disse: "Por que não tentar? Como saberá se eles têm más intenções se não falar nada?"
Sem outra escolha, Estevão engoliu o orgulho e ligou para seu assistente. Para sua surpresa, o pedido foi aceito prontamente, deixando-o atordoado. Bento e Lorena trocaram olhares; para eles, Estevão não agia como uma celebridade, mas como um trabalhador comum que tratava a própria família como realeza.
— Estevão, ser uma celebridade é tão miserável assim hoje em dia? — perguntou Bento.
— Irmão Bento, eu não sou uma estrela — corrigiu Estevão rapidamente. — Tenho poucos recursos e status baixo. Sou apenas um artista. É um trabalho como qualquer outro; não me sinto superior ao meu assistente.
Bento suspirou: — Se todas as celebridades tivessem sua autoconsciência. Espero que você nunca perca essa essência.
Lorena estava ansiosa para provar a comida da mãe de Estevão, mas lembrou que havia prometido almoçar com sua própria mãe, Luana, que a esperava na cafeteria em frente à Associação. No entanto, em uma reviravolta animada, Lorena mandou uma mensagem e Luana acabou se juntando ao grupo.
— Estevão, não precisa se preocupar — disse Luana ao telefone. — Lorena disse que você nos ofereceria um jantar. Onde será? Precisamos levar algo?
— Luana, não precisa de nada! Minha mãe preparou comida de sobra — respondeu Estevão, embora estivesse secretamente nervoso com a quantidade e planejasse pedir reforços por mensagem.
Em pouco tempo, a mãe de Estevão, acompanhada pelos irmãos gêmeos dele, Julio e Jerson, chegou à Associação. Eles usaram o refeitório da instituição, um lugar com design moderno que lembrava uma pauta musical fluida. Dona Magda estava visivelmente nervosa:
— Será que meus sapatos vão sujar num lugar tão bonito?
Assim que viu o filho, a quem não via há meses, ela se emocionou:
— Estevão, você emagreceu! Eu disse para não trabalhar tanto, temos dinheiro em casa.
— Mãe, agora estou em uma empresa nova e o pessoal é ótimo. Olha, eu até engordei! — disse ele, dando tapinhas na barriga magra.
Luana aproximou-se com um sorriso: — Tia, a figura dele está perfeita. Ele precisa manter o peso para o trabalho.
— É normal sentir saudades — consolou Luana. — Minha mãe se foi quando eu era pequena e a imagem dela às vezes me foge. Sinto o mesmo aperto.
Nesse momento, o celular de Bento vibrou. Ele arregalou os olhos: o subsídio e o salário proporcional haviam caído! Ele agora tinha dinheiro o suficiente para pagar as mensalidades do hospital. Ele passou do choro ao riso em segundos.
— Lorena, Estevão, preciso pedir licença para visitar meus pais no hospital agora mesmo! — anunciou ele, transbordando alívio.
Dona Magda observou a cena com empatia. Ela sabia que cada família carregava seu fardo. Olhando para Luana, ela admirou a inteligência e a virtude daquela jovem mãe.
— Já que o Bento foi para o hospital, por que não vamos todos para casa abraçar nossas mães? — sugeriu Estevão, tentando aliviar o clima com humor.
— Você, com essa idade, ainda quer se agarrar à mãe? — brincou Dona Magda!
Todos riram. Luana elogiou a união da família de Estevão, e Dona Magda, com o coração apertado, relembrou o passado: — As coisas foram difíceis. Esta criança sofreu muito trabalhando no exterior tão jovem para nos ajudar.

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