Após a entrada de Lorena na Associação de Música, Alessandro chegou a testar as habilidades da pequena. Ele lhe mostrou o vídeo de uma apresentação antiga, lamentando falsamente que a melodia original tivesse se perdido no tempo. Para sua surpresa, Lorena não se limitou a palavras de consolo; ela sentou-se em silêncio e, em apenas uma hora, transcreveu toda a partitura do concerto de memória.
Alessandro ficou estupefato. Para ele, Lorena era um tesouro de valor inestimável, uma relíquia lendária da música. Ele sentia que ser seu "discípulo" era uma honra absoluta. Embora seu primeiro instinto fosse protegê-la do mundo, ele sabia que o brilho de Lorena era grande demais para ser escondido por egoísmo.
Diante de todos na sala de ensaio, Alessandro confrontou os presentes:
— Vocês realmente acham que ela não seria capaz de memorizar uma melodia tão simples?
Ao ouvir isso, Zaya empalideceu instantaneamente, sentindo o sangue fugir do rosto. Alessandro aproveitou o momento para lançar um olhar indiferente ao vice-presidente Paolo — o mentor da regra rígida que impedia o empréstimo de partituras entre níveis diferentes.
Há um mês, Alessandro já havia sugerido ao presidente uma reforma completa desse sistema. O plano era detalhado: permitiria o acesso às obras sem risco de danos ou perdas, inclusive auxiliando na restauração de partituras antigas. Muitos profissionais de alto nível falharam em restaurar essas obras porque tentavam aplicar as sete notas da música moderna em ritmos antigos de apenas cinco notas. Alessandro acreditava que novos talentos eram a chave para resolver esse enigma.
O vice-presidente Paolo, competitivo e teimoso, apenas bufou:
— Veremos quando chegar a hora.
Alessandro ignorou a grosseria de Paolo e voltou-se para Lorena com uma doçura que todos notaram.
— Por que decidiu competir logo agora? Está entediada? — perguntou ele, tentando acariciar o cabelo dela. — Eu não disse que era só me procurar para brincar?
Lorena afastou a mão dele com um biquinho de desgosto.
— Não estrague meu cabelo! Foi a mamãe quem fez esse penteado hoje cedo.
O vice-presidente Paolo, que já estava saindo, parou abruptamente ao ouvir aquilo. Lorena ficou em dúvida; sua professora havia dito que iniciantes não podiam participar sem exames prévios. Além disso, ela nunca ligou muito para prêmios.
No entanto, ao olhar para seus companheiros, Lorena notou algo diferente. Estevão parecia curioso, mas era no rosto de Bento que o nervosismo e a expectativa brilhavam intensamente.
Bento queria participar. Para ele, que enfrentou inúmeros fracassos e falta de reconhecimento antes de finalmente entrar na Associação, aquela competição era a chance de provar seu valor ao mundo. Lorena, sendo uma gênia nata, não conhecia a dor da rejeição, mas sua empatia falou mais alto. Ela sabia que, se ela e Estevão recusassem, Bento dificilmente encontraria parceiros à altura para formar uma equipe.
— Se você não estiver interessada, podemos esquecer — disse Alessandro, percebendo o silêncio dela.
Ao lado, Paolo soltou um riso sarcástico. Ele achava absurdo o tom de Alessandro, como se a participação em um evento internacional dependesse apenas do "querer" de uma criança. Aquela competição representava o prestígio da China no exterior — um troféu de nível máximo que os representantes chineses, apesar de premiados, ainda não haviam conquistado.
Para Paolo, era uma questão de força nacional. Para Lorena, agora, era uma questão de apoiar o sonho de Bento.

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