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A Noiva Quebrada do Mafioso romance Capítulo 8

Ava

Acordei com o rosto molhado.

De suor. De lágrimas.

De tudo que transbordava de dentro.

O lençol embolado entre minhas pernas, o quarto escuro, abafado, sufocante.

Respirei fundo, tentando encontrar algum ar no meio do peito apertado.

Não consegui.

O sonho ainda grudava na pele.

Brian rindo de mim.

Na igreja.

Na frente de todos.

Apontando.

Dizendo: “Você é gorda. Ridícula. Quem é que casaria com uma coisa dessas?”

Me encolhi na cama como uma criança.

O tempo passava. Os minutos devoravam minha sanidade. E eu só conseguia pensar em uma coisa: comida.

Eu precisava enterrar aquilo com alguma coisa.

Precisava preencher o buraco no peito, no estômago, na alma.

Levantei sem pensar. Vesti o robe que estava no encosto da poltrona, saí do quarto sem fazer barulho. Já era tarde, a casa estava silenciosa, exceto por um segurança que assentiu quando me viu passar. Ele não disse nada. Ninguém dizia.

Desci até a cozinha.

Estava tudo ali.

Croissants. Doces. Uma torta de maçã inteira na geladeira. Queijos finos. Sorvete artesanal.

Coisas que não pertenciam ao meu mundo.

Mas eu comi.

Comi como se estivesse lutando contra um monstro.

Mastigando raiva, engolindo humilhação, tentando calar o grito da mulher que ainda me chamava de feia, fracassada e sozinha.

Sentei no chão da cozinha, abraçada a uma tigela de massa crua de biscoito.

Era nojento. Mas era o que eu queria.

Me punir.

Me apagar.

Ouvi passos. Não me importei.

Devia ser alguém da cozinha.

Mas então a voz soou, baixa, grave.

Gregório: “Você vai vomitar.”

Levantei os olhos.

Ele estava ali, encostado na porta, sem terno, só de camiseta preta e calça de moletom.

O cabelo bagunçado. O olhar afiado.

Mas havia algo diferente. Uma sombra de preocupação.

Limpei a boca com o dorso da mão. Tentei me recompor, mas era tarde demais.

Gregório: “Por que você tá comendo tanto, Ava?”

Fechei os olhos com força. Queria sumir.

Ava: “Porque eu sou uma inútil.”

Silêncio.

Ava: “Porque foi por isso que ele me largou. Porque ele olhou pra mim e viu o que eu sou de verdade. Porque ele sabia que eu era insuficiente. Que eu nunca seria boa o bastante.”

Gregório permaneceu calado. E aquilo me fazia querer gritar.

Ava: “Porque ele sabia que ninguém amaria alguém como eu. E ele tava certo. Eu sou um lixo, Gregório. Gorda. Fraca. Feia. Patética. E se você me viu diferente no bar... você se enganou.”

Ele se aproximou. Devagar.

Eu me encolhi.

Mas ele não disse nada.

Apenas estendeu a mão, pegou a tigela da minha frente e a colocou de lado.

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