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A Noiva Quebrada do Mafioso romance Capítulo 76

Scarlett

Nunca fui do tipo que se intimida com gente poderosa. Ao contrário — sempre gostei de ver os olhos deles me seguindo quando eu entro em um ambiente. O silêncio que vem logo depois. O deslizar sutil dos olhares. A dúvida sobre quem eu sou.

Era exatamente isso que eu queria provocar naquela noite.

Brian apareceu na porta do quarto meia hora antes de sairmos para o evento. Ele estava impecável num terno escuro com abotoaduras prateadas e o cabelo penteado para trás. Mas quando me viu descendo as escadas, ele parou.

— Tá exagerado demais?

Eu estava num vestido de seda preto com fenda lateral que ia até o quadril. Costas nuas. Decote elegante, mas profundo. O tipo de roupa que diz: “sou rica, linda, e perigosa”.

— Exagerado? Não. Você parece a mulher que destrói famílias com um sorriso.

— Ótimo. Porque é isso que a gente veio fazer.

No caminho, ele revisou tudo com calma.

— Você não precisa forçar. Só precisa ser vista. Não olha demais. Não flerta demais. Só o suficiente pra deixar a dúvida.

— Já entendi. Eu sou a isca.

— A isca mais linda que já pisou num evento da máfia nova-iorquina.

Chegamos no salão às nove em ponto.

O local era um hotel cinco estrelas nos Hamptons, reservado só para convidados VIP. Tapete vermelho, luzes suaves, garçons com bandejas de cristal e uma trilha sonora de violinos ao fundo. Tudo elegante, chique, intocável. Mas eu sabia que por trás de cada sorriso polido ali, havia sangue, acordos sujos e mortes silenciosas.

E foi ali, entre taças e vestidos de grife, que eu o vi pela primeira vez.

Marcelo De Capri.

Alto, ombros largos, terno sob medida, cabelo escuro levemente bagunçado, olhar frio como aço temperado. Ele conversava com dois homens próximos a uma lareira acesa, um copo de uísque na mão e uma presença que fazia todo o resto do salão parecer menor.

Meu coração acelerou.

Não porque eu estava nervosa — mas porque aquela visão era mais perigosa do que eu esperava. Marcelo era o tipo de homem que podia enganar qualquer mulher com um simples olhar. Mas o olhar dele… não era sedutor.

Era letal.

— É ele.

Brian seguiu meu olhar e confirmou com a cabeça.

— De Capri. O Don da máfia rival. E o homem que vai quebrar Gregório Hackman, se a gente souber mexer no tabuleiro.

— Ele é ainda mais bonito do que nas fotos.

E pensar que Brian tinha me dito que ele era feio. Ou era mentira, ou meu marido precisava urgentemente de óculos.

— E também mais perigoso. Cuidado.

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