Scarlett
Nunca fui do tipo que se intimida com gente poderosa. Ao contrário — sempre gostei de ver os olhos deles me seguindo quando eu entro em um ambiente. O silêncio que vem logo depois. O deslizar sutil dos olhares. A dúvida sobre quem eu sou.
Era exatamente isso que eu queria provocar naquela noite.
Brian apareceu na porta do quarto meia hora antes de sairmos para o evento. Ele estava impecável num terno escuro com abotoaduras prateadas e o cabelo penteado para trás. Mas quando me viu descendo as escadas, ele parou.
— Tá exagerado demais?
Eu estava num vestido de seda preto com fenda lateral que ia até o quadril. Costas nuas. Decote elegante, mas profundo. O tipo de roupa que diz: “sou rica, linda, e perigosa”.
— Exagerado? Não. Você parece a mulher que destrói famílias com um sorriso.
— Ótimo. Porque é isso que a gente veio fazer.
No caminho, ele revisou tudo com calma.
— Você não precisa forçar. Só precisa ser vista. Não olha demais. Não flerta demais. Só o suficiente pra deixar a dúvida.
— Já entendi. Eu sou a isca.
— A isca mais linda que já pisou num evento da máfia nova-iorquina.
Chegamos no salão às nove em ponto.
O local era um hotel cinco estrelas nos Hamptons, reservado só para convidados VIP. Tapete vermelho, luzes suaves, garçons com bandejas de cristal e uma trilha sonora de violinos ao fundo. Tudo elegante, chique, intocável. Mas eu sabia que por trás de cada sorriso polido ali, havia sangue, acordos sujos e mortes silenciosas.
E foi ali, entre taças e vestidos de grife, que eu o vi pela primeira vez.
Marcelo De Capri.
Alto, ombros largos, terno sob medida, cabelo escuro levemente bagunçado, olhar frio como aço temperado. Ele conversava com dois homens próximos a uma lareira acesa, um copo de uísque na mão e uma presença que fazia todo o resto do salão parecer menor.
Meu coração acelerou.
Não porque eu estava nervosa — mas porque aquela visão era mais perigosa do que eu esperava. Marcelo era o tipo de homem que podia enganar qualquer mulher com um simples olhar. Mas o olhar dele… não era sedutor.
Era letal.
— É ele.
Brian seguiu meu olhar e confirmou com a cabeça.
— De Capri. O Don da máfia rival. E o homem que vai quebrar Gregório Hackman, se a gente souber mexer no tabuleiro.
— Ele é ainda mais bonito do que nas fotos.
E pensar que Brian tinha me dito que ele era feio. Ou era mentira, ou meu marido precisava urgentemente de óculos.
— E também mais perigoso. Cuidado.

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