Scarlett
Cheguei em casa pisando fundo. Meus saltos ecoavam no mármore da mansão como estalos de raiva, e tudo em mim gritava frustração. A porta bateu atrás de mim e eu larguei a bolsa com força no sofá da sala.
Brian apareceu no corredor com um copo de uísque na mão e aquele olhar irônico que me tirava do sério.
— Pelo visto, a manicure não foi boa hoje.
— A manicure foi ótima. O problema foi a princesa russa que acha que pode pisar em todo mundo.
Ele se sentou, cruzando as pernas com calma.
— Anastasia Volkov?
— Ela mesma.
Me joguei na poltrona como quem carrega o peso do mundo. Soltei os cabelos e suspirei fundo.
— Você tinha razão. Ela é difícil. Fria. Aquela mulher é feita de pedra. Não dá abertura, não reage a elogio, não se emociona, não demonstra nada.
— Então ela é exatamente o tipo que o De Capri gosta.
— Exato. Frieza combina com frieza. E isso é o pior. Ela não vai cair na conversa fácil. Não vai fazer amizade. Não vai confiar em mim nem se eu salvar o cachorro dela de um incêndio.
Brian me olhou, pensativo. Bebeu um gole do uísque e falou com calma:
— Isso significa que a gente vai ter que partir pra outro tipo de estratégia.
— Como o quê? Um sequestro?
Brian riu.
— Ainda não. Mas eu andei pesquisando mais sobre o Marcelo De Capri.
Me endireitei, interessada.
— E aí?
— Ele é controlador. Extremamente. Gosta de mandar, de ser adorado, de ver a mulher dele como troféu. Mas tem uma fraqueza…
— Qual?
— Ele não tolera desrespeito. Nem insinuação de traição. Ele é tão obcecado por controle que, se tiver uma sombra de dúvida sobre a fidelidade da Anastasia… ele mesmo pode se voltar contra ela.
— E você quer que eu faça parecer que ela tá traindo ele?
— Não. Quero que você seja a tentação. A semente da dúvida. Quero que você seja o risco que o ego dele não vai suportar.
Eu arregalei os olhos.

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