Ava
Algumas semanas depois da nossa viagem ao campo de lavandas, acordei com um gosto amargo na boca e uma pontada estranha na barriga. No começo, achei que era só alguma coisa que eu tinha comido no jantar. Não era raro eu exagerar quando Gregório me trazia aquelas massas cheias de queijo que só ele sabia onde comprar.
Mas quando me levantei da cama, o chão girou.
Apoiei a mão na parede. Respirei fundo. O enjoo veio de novo, rasgando minha garganta, queimando como fogo.
— Gregório...
Minha voz saiu fraca, quase sem som. Tentei andar, mas as pernas bambearam.
Gregório apareceu na porta do banheiro no mesmo segundo.
— Amor? O que foi?
Eu mal consegui responder. O enjoo me venceu. Corri pro banheiro e vomitei tudo. Senti ele segurando meu cabelo e me apoiando pela cintura, tomando cuidado para não forçar o braço esquerdo, que ainda estava se recuperando.
— Calma, calma, Ava... respira.
Quando terminei, me sentei no chão, pálida, tremendo.
— Tem alguma coisa errada, Gregório. Eu não tô bem.
Os olhos dele se apertaram. No segundo seguinte, ele já estava me ajudando a levantar.
— A gente vai pro hospital agora. Eu não vou arriscar nada.
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O caminho foi um borrão. Eu tremia. O enjoo voltava em ondas, e o medo me consumia por dentro. Só conseguia pensar em uma coisa.
O outro bebê.
O que eu perdi.
A dor daquela perda ainda era uma ferida aberta dentro de mim. Eu nunca contei pra todo mundo o quanto doeu. Nem pra Scarlett. Nem pra minha mãe. Só quem sabia da profundidade daquele buraco era eu… e Deus.
Gregório segurava minha mão com tanta força que parecia tentar dividir o medo comigo.
— Eu tô com você, meu amor. Vai ficar tudo bem. Eu prometo.
— E se não ficar? E se... e se for igual da outra vez?
Ele parou de falar. Só olhou pra mim. Mas era um olhar cheio de carinho, de preocupação. Um olhar que segurava minha alma em pé.
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No hospital, me atenderam rápido. Gregório ficou ao meu lado o tempo todo. Quando a médica chegou com o resultado dos exames, meu coração disparou.
— Ava… você está grávida.
O mundo parou. Eu olhei pra Gregório. Os olhos dele se arregalaram.
— Grávida?
— Sim. Parabéns. Está nas primeiras semanas ainda. O enjoo pode acontecer no início da gravidez, mas vamos fazer uma ultrassonografia pra avaliar como está tudo.
Eu tremia. Não de alegria. Ainda não. Era o medo. O medo de amar de novo e perder de novo.
Gregório segurou minha mão.
— Ei... olha pra mim. Você ouviu a médica. Vamos fazer os exames, acompanhar tudo direitinho. E, independentemente do que acontecer, eu tô aqui. Eu vou cuidar de você. Desse bebê. Da gente. Você não vai passar por isso sozinha.
— Gregório, eu tô com medo.
Minha voz quebrou. As lágrimas vieram, inevitáveis. Desabei no peito dele.

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