Brian
A luz da manhã invadia o quarto do bangalô com um tom irritante de pureza. O tipo de luz que não combina com o tipo de merda que eu tinha feito na noite anterior. Scarlett estava jogada do meu lado na cama, com os braços cruzados e o cenho franzido, bufando como uma adolescente contrariada. Ainda tinha a marca vermelha no rosto de quando eu perdi a paciência. Passamos a noite praticamente sem trocar uma palavra depois daquela discussão.
Me levantei, vesti uma calça e fui até a varanda. Peguei um cigarro no bolso da jaqueta e acendi. A primeira tragada queimou a garganta, mas acalmou o caos na minha cabeça. Ava. Ava. Ava.
Era só o que eu conseguia pensar.
Ela rindo ao lado de Gregório. Ela usando aquele vestido que grudava no corpo como segunda pele. Ela com aquele olhar de quem venceu. De quem me superou. De quem nunca mais ia voltar a ser minha.
Mas o que mais me corroía era saber que ela estava melhor. Que ela era agora tudo o que Scarlett sonhava em ser e nunca vai conseguir.
Ouvi o som dos lençóis se mexendo atrás de mim. Não me virei.
— Você vai me ignorar o resto da vida por causa daquela vaca?
— Cuidado com o que fala da sua irmã.
— Ah, agora ela é santa? Você que humilhou ela no altar! Você que a deixou de joelhos no chão com o buquê na mão! E agora quer pagar de arrependido?
Me virei devagar, soltei a fumaça e encarei ela.
— Eu me arrependo, sim. E se você tivesse um mínimo de empatia, saberia o que é isso.
— Empatia? Vai se foder, Brian. Você casou comigo!
— Porque eu fui burro. Porque eu achei que ela nunca ia se reerguer. Que ela ia continuar sendo a sombra de si mesma. Mas agora... agora ela é fogo. Ela virou o que sempre teve potencial pra ser. E você sabe. Você viu. Ava brilhou naquela festa. Você foi só pano de fundo.
Scarlett levantou da cama, com os olhos faiscando.
— Vai voltar correndo pra ela, é isso?
— Não. Não com ela nos braços de Gregório Hackman. Aquele filho da puta vai pagar por ter tirado ela de mim. Por ter olhado pra ela como se fosse dono. Por ter deixado claro que agora ela é dele. Mas principalmente… por ter vencido.
Ela cruzou os braços, ainda furiosa, mas curiosa.
— E o que você pretende fazer?
Me aproximei devagar, apaguei o cigarro no cinzeiro da varanda e sorri de lado.
— Você quer destruir o relacionamento deles?
Ela não hesitou.
— Óbvio que quero. Aquele idiota do Gregório me humilhou. E a Ava... bem, ela sempre quis ser melhor que eu. Chegou a hora de ela entender como é estar no chão de novo.
— Então talvez a gente possa se ajudar.
— Como?

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