Gregório
O silêncio da sala era respeitoso. Mas não confortável.
A mesa longa de carvalho estava cheia, os sete conselheiros sentados como se esperassem uma sentença. Cinco homens e duas mulheres, todos com roupas elegantes e expressões carregadas. Eles me viam como o mais jovem da mesa — mas também o mais temido.
E agora, o mais vitorioso.
Ava e eu já tínhamos conversado sobre contar a novidade ao conselho. Ela concordou, embora ainda quiséssemos manter a gravidez longe dos olhos do público.
Cruzei os braços, em pé à cabeceira, observando cada um antes de abrir a boca. Fiz questão de manter minha voz firme, pausada, como quem saboreia o poder.
— Obrigado por atenderem ao meu chamado com tanta rapidez.
Lázaro, o mais velho, pigarreou:
— Quando um Hackman chama, a gente escuta. Ainda mais quando o chamado vem depois de uma festa de casamento polêmica.
Dei um meio sorriso. Sabia que estavam comentando o show de Scarlett sendo apagada. Ainda estavam digerindo o soco que dei em Brian no meio do salão, e a forma como eu e Ava saímos dali como os verdadeiros reis da noite.
Mas agora, era hora de outro tipo de golpe.
— Eu tenho um comunicado oficial. Algo que muda o rumo da minha linhagem. Da nossa família. Do nosso nome.
O ar pareceu mais denso.
Gustavo, um dos mais rancorosos do grupo, ergueu a sobrancelha.
— Vai finalmente escolher um sucessor, Gregório?
— Meu sucessor ou minha sucessora já está a caminho — respondi, com orgulho.
Todos se entreolharam. Aquilo era novidade.
Sentei. Apoiei as mãos sobre a mesa e fui direto ao ponto:
— Ava está grávida.
Silêncio.
Pesado. Longo.
E então, murmúrios.
Lázaro sorriu primeiro. Um dos poucos que sempre me respeitou de verdade.
— Então... um novo Hackman está a caminho.
Assenti com um leve aceno, mas com firmeza nos olhos.
— Está. E será criado com tudo o que um Hackman precisa. Força, inteligência, honra. E principalmente… amor.
Gustavo riu com desprezo.
— Amor? Desde quando isso pesa numa balança de poder?
Me inclinei um pouco pra frente, encarando ele nos olhos.
— Desde que eu decidi que a nossa história não vai mais ser escrita só com sangue. Mas com legado.
Ele se calou. Todos se calaram.
Foi aí que falei mais alto, batendo os dedos levemente na mesa:

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