Ava
O céu estava dourado quando chegamos ao chalé que Gregório havia reservado perto do campo de lavandas. A luz do entardecer filtrava pelas janelas largas, banhando tudo com uma calma que parecia mágica. A brisa trazia o perfume da lavanda que ainda impregnava meu vestido. Meus pés estavam descalços, e a alma... leve.
Gregório abriu a porta pra mim com aquele jeito só dele — meio bruto, meio protetor. Me segurou pela cintura com o braço direito quando entrei e, antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa, me puxou para perto.
— A sua pele ainda tá quente do sol.
— E seu toque me acende mais que ele.
O sorriso que ele deu era puro fogo. Mas havia doçura nos olhos. Um carinho diferente. Um desejo que não era pressa — era reverência.
Ele passou as mãos pelos meus braços com calma, deslizou os dedos até o meu pescoço e me olhou fundo.
— Deita comigo. Quero só sentir você perto hoje.
Assenti com o coração batendo mais rápido. Fui até o quarto e ele me seguiu. O chalé estava silencioso, envolto pela natureza, e parecia feito só para nós dois.
Me sentei na cama, e ele se ajoelhou diante de mim, tomando cuidado para não forçar o braço esquerdo, que ainda estava se recuperando do tiro.
— Sabe o que me deixa louco?
— O quê?
— Essa sua calma. Essa sua força silenciosa. Essa maneira de olhar como se pudesse me ler por dentro.
— Talvez eu possa.
Gregório riu, depositando um beijo carinhoso na minha mão.
— Você já me tem inteiro, Ava. Cada parte. Cada pensamento. Cada batida do meu coração. E quando você me toca... parece que o mundo se desfaz.
Ele me deitou devagar, ajeitou o lençol ao meu redor e se acomodou ao meu lado, me abraçando.
Sem pressa.
Sem fala.
Só nós dois.
Nossos abraços pareciam feitos um para o outro. As mãos dele acariciavam minhas costas com calma. Os beijos no meu ombro, no pescoço, atrás da orelha. Era como se ele conseguisse demonstrar, em cada gesto, todo o amor que sentia.
— Me diz uma coisa…
— Hm?

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