Gregório
O caminho de volta pra casa foi silencioso. Ava estava com a cabeça encostada no meu ombro dentro do carro, a mão dela segurando firme a minha. Ela ainda estava abalada, e eu também. Mesmo com o ferimento superficial no braço esquerdo, a sensação de vulnerabilidade mexeu comigo.
Não era só sobre a bala. Era sobre o que ela representava.
Tocar em mim era um recado. Um aviso.
Mas ninguém ameaça um Hackman e sai impune.
Quando o carro dobrou na alameda que levava até minha casa, a primeira coisa que percebi foi a quantidade de carros estacionados na frente. E não eram quaisquer carros. Eram os carros deles.
Suspirei, soltando a mão de Ava devagar.
— Que foi? — ela perguntou.
— O conselho está aqui.
Ela franziu a testa.
— O conselho? O que eles estão fazendo aqui?
— Os mais antigos. Os que ajudaram a construir a nossa organização. Eles só aparecem assim quando querem me lembrar que, por mais que eu seja o rosto do poder, eles são as mãos invisíveis que ajudam a sustentar tudo.
Ava engoliu seco.
— Quer que eu fique no carro?
— Você vem comigo. Agora você é uma Hackman também.
Ela apertou minha mão de novo e assentiu. Corajosa. Forte. Linda.
Entramos juntos. O som dos nossos passos ecoava no mármore silencioso. As luzes da sala estavam todas acesas, e eles estavam ali: cinco homens e duas mulheres, todos com mais de sessenta anos, vestindo roupas caras, olhares frios, postura de estátuas.
Ramón, Javier e Tomás estavam entre eles. Os mesmos que haviam me pressionado sobre o casamento antes de Ava aceitar meu pedido. Os outros eram Lázaro, Gustavo, Helena e mais uma conselheira que raramente participava das reuniões.
A presença deles enchia o ambiente de tensão.
Quando coloquei os pés dentro da sala, me antecipei:
— Achei que fôssemos marcar antes de aparecerem assim.
Lázaro, o mais velho, se levantou. Os olhos varreram Ava de cima a baixo.
— Foi necessário. E queríamos ver com os próprios olhos… sua esposa.
O olhar dele parou no rosto dela. E então, sem disfarçar, sorriu.
— A senhora Hackman é ainda mais impressionante pessoalmente.
Outro deles, Gustavo, completou:
— Sim. Sua esposa é muito bonita. Uma mulher de presença.
Senti Ava se encolher um pouco, desconfortável com os olhares. Fui até ela, envolvi sua cintura com o braço direito e respondi:
— Obrigado pelos elogios, mas a beleza dela não está em discussão hoje. Ava, amor, pode subir. Eu te encontro lá em cima daqui a pouco.
Ela me lançou um olhar hesitante, mas confiou. Subiu as escadas com a leveza de quem já deixou de ser sombra há muito tempo.
Quando ela desapareceu do meu campo de visão, o tom da sala mudou.
Lázaro foi o primeiro a falar:
— Ela é diferente. Mais do que esperávamos. Uma mulher de presença.
Gustavo cruzou os braços.
— Mas ainda falta uma coisa.
Fiquei de pé. Não fiz questão de esconder minha impaciência.
— Vamos direto ao ponto?
Foi então que Helena, a única mulher daquele conselho que eu realmente respeitava, falou:
— Você está casado. Consolidou sua imagem pública. Trouxe estabilidade. Mas o tempo está correndo, Gregório. Você já passou dos trinta. E ainda não tem um herdeiro.
Silêncio.
Aquilo não era exatamente uma surpresa. Mas ouvir da boca deles dava um peso diferente.
— E se eu não quiser ter filhos agora?
Helena ergueu uma sobrancelha.
— Você não quer ou ela não pode?
Senti meu sangue ferver.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Noiva Quebrada do Mafioso