Ava
Quando meu celular apitou, eu estava na academia com a Cissa. Tinha acabado de terminar a última repetição do circuito quando ouvi o som de mensagem. Peguei o aparelho ainda ofegante, enxugando o suor do rosto com a toalha.
Mas quando li a mensagem… meu corpo gelou.
“Oi, amor. Tá tudo bem. Sofremos um ataque em uma das bases. Fui atingido de raspão. Já estou sendo atendido. Te explico tudo quando chegar. Te amo.”
A toalha caiu da minha mão. O celular também. Tudo ficou em silêncio, mesmo com a música alta da academia e os sons dos aparelhos.
A voz da Cissa pareceu vir de longe:
— Ava? Que foi? Tá branca!
Eu me abaixei pra pegar o celular e só consegui dizer:
— Gregório… foi baleado.
O grito da Cissa ecoou mais do que o meu desespero.
Não pensei. Não vesti outra roupa. Não peguei água. Não levei bolsa. Saí correndo da academia com o coração batendo tão forte que parecia que ia rasgar meu peito. Liguei pro motorista enquanto atravessava a mansão e, quando entrei no carro, minhas mãos tremiam tanto que nem consegui colocar o cinto.
No caminho, o motorista conseguiu falar com Marco, que confirmou em qual hospital Gregório estava sendo atendido.
A cada sinal vermelho, meu peito apertava. A cada curva, a angústia se agarrava na minha garganta. Eu não sabia o estado dele. Não sabia o que tinha acontecido de verdade. A única coisa que me mantinha de pé era a frase “tá tudo bem”.
Mas como que tá tudo bem se ele levou um tiro?
Cheguei no hospital feito um furacão. Nem me importei com a recepção, com o protocolo, com nada. Atravessei os corredores com uma dor no peito que só crescia.
— Gregório Hackman! Me disseram que ele tá aqui! Onde ele tá?! — gritei para a recepcionista, sem sequer disfarçar meu pânico.
A mulher apontou com pressa, e eu corri. Corri como se a minha vida estivesse naquela porta.
E talvez estivesse mesmo.
Quando abri a porta do quarto, vi ele sentado na maca, o braço esquerdo enfaixado, o rosto tranquilo demais pro que tinha acabado de acontecer.
Mas eu… eu desabei.
— Seu idiota! — foi o que saiu primeiro.
E depois, eu comecei a chorar.
Chorar de soluçar. De perder o ar. De sentir a alma sacudindo por dentro. Eu fui até ele e agarrei sua cintura, encostando o rosto no peito dele com força, como se quisesse me fundir ali.
— Eu achei que ia te perder… — murmurei contra o corpo dele. — Eu achei que ia ficar sozinha nesse mundo de novo. E eu não aguento mais perder ninguém, Gregório. Eu não…
Ele me envolveu com o braço bom, me apertando com cuidado, com carinho, com tudo.
— Ei… eu tô aqui. Eu tô aqui, amor.

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