Ava
Achei que o dia já tinha sido perfeito o suficiente.
Passeio de balão, piquenique, beijos e carinho no meio do campo… Eu estava exausta e completamente em paz. Depois de passarmos a tarde descansando na casa de praia, já estava anoitecendo quando voltei para o quarto. Falei que ia tomar um banho rápido enquanto Gregório resolvia uma “coisinha”. Quando perguntei o que era, ele apenas sorriu daquele jeito misterioso que sempre me deixava curiosa.
— Você vai ver, minha mulher. Só me dá uma hora.
Uma hora. Achei exagerado, mas não insisti. Se Gregório estava preparando outra surpresa, eu certamente não conseguiria arrancar nenhuma informação dele.
Fiquei no quarto, tomei meu banho e coloquei uma camisola de cetim azul-clara, bem leve. Penteei os cabelos, passei um pouco de perfume e me sentei na beirada da cama. Ainda estava tentando entender como aquele homem conseguia me surpreender tanto. Sentia um friozinho gostoso no estômago, não apenas pela curiosidade, mas por saber que estava vivendo um relacionamento que havia escolhido de coração.
Então ouvi uma batida na porta.
— Vem comigo — Gregório chamou do outro lado.
Abri a porta e fiquei alguns segundos admirando meu marido.
Ele estava de terno preto, sem gravata, com a camisa branca ligeiramente aberta no peito e os cabelos perfeitamente bagunçados. Tinha um sorriso nos lábios que me fez esquecer por alguns instantes o que eu pretendia perguntar.
— Gregório… O que você tá aprontando?
Ele apenas estendeu a mão.
— Vem descobrir.
Segurei seus dedos e deixei que me conduzisse pelo corredor. Descemos até o jardim dos fundos da casa de praia, seguindo por um caminho de pedras. Já estava escuro, mas pequenas luzes iluminavam nossa passagem. Havia velas protegidas por lanternas, lamparinas penduradas nas árvores e pétalas espalhadas pelo chão.
Quando chegamos ao centro do jardim, parei.
E fiquei completamente sem palavras.
Havia uma pequena tenda branca de tule, parecida com uma cabana dos sonhos. Dentro dela, almofadas estavam espalhadas sobre um tapete macio, cercadas por velas e flores. Sobre uma mesinha, havia frutas, taças e uma garrafa de vinho. Próximo à entrada, um violonista tocava uma melodia suave, romântica, que eu não reconhecia, mas que parecia ter sido escolhida especialmente para nós.
Levei a mão à boca.
— Gregório… O que é isso?
Ele se virou para mim, sorrindo.
— É meu presente de amor. O nosso segundo pedido de casamento.
Arregalei os olhos.
— Mas… a gente já casou!
— Eu me casei com você diante de todo mundo. Agora quero fazer uma promessa só nossa.
Antes que eu conseguisse responder, Gregório se ajoelhou.
Sim. Meu marido se ajoelhou diante de mim.
Tirou do bolso uma pequena caixinha e a abriu. Dentro dela havia um anel de prata com uma safira azul, lapidada em formato de coração.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas.
— Gregório…
Ele segurou minha mão.
— Esse anel é pra você lembrar, todos os dias, que eu escolho você. Não só quando está linda, vestida de noiva, mas quando acorda com os olhos inchados, quando está insegura, quando chora, quando tropeça ou quando não acredita em si mesma. Eu quero estar ao seu lado em todos esses momentos. Quero segurar sua mão quando as coisas ficarem difíceis e comemorar cada conquista sua. Você é meu lar, Ava. E eu quero continuar sendo o seu.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
Gregório sorriu e continuou:
— Ava Hackman, você aceita continuar me dizendo sim, todos os dias, pelo resto das nossas vidas?
Eu não conseguia responder imediatamente. As lágrimas caíam, e meu coração batia tão depressa que parecia impossível colocar qualquer pensamento em ordem.
Então me ajoelhei também.
Passei os braços ao redor de seu pescoço e o abracei com força, fazendo-o rir baixinho.
— Sim — respondi, emocionada. — Sim pra sempre, Gregório.
Beijei meu marido e, quando nos afastamos, ele segurou delicadamente minha mão para colocar o anel no meu dedo.
Fiquei admirando a safira, ainda sem acreditar naquela surpresa.

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