Ava
Acordei com Gregório depositando pequenos beijos no meu ombro. Ainda estava escuro lá fora, e minha primeira reação foi me esconder debaixo do lençol, porque não fazia a menor ideia de por que meu marido havia decidido me acordar tão cedo. No dia anterior, tínhamos passado horas conhecendo uma praia reservada, almoçado em um restaurante maravilhoso e voltado para nossa casa de praia já no fim da tarde. Eu pretendia aproveitar aquela manhã dormindo até mais tarde.
Mas aparentemente Gregório tinha outros planos.
— Bom dia, minha esposa.
Abri um olho, encontrando seu sorriso divertido.
— Gregório, pelo amor de Deus… Ainda é de madrugada?
Ele gargalhou.
— Quase. Levanta, amor. Preparei uma surpresa.
— Outra? Você tá tentando me matar de curiosidade nessa lua de mel!
— Veste alguma coisa confortável. E leva um casaco.
Sentei na cama, desconfiada.
— Um casaco? A gente tá na praia, Gregório.
— Confia em mim.
Revirei os olhos, mas acabei levantando. Escolhi um vestido longo, leve e florido, prendi parte dos cabelos e peguei um casaco fino. Quando desci, encontrei Gregório esperando na entrada da casa, com um sorriso que denunciava estar escondendo alguma coisa.
O motorista já estava ao lado do carro. Seguimos por uma estrada cercada de árvores, enquanto o céu começava a clarear no horizonte. Eu olhava pela janela, tentando descobrir nosso destino, mas não reconhecia absolutamente nada.
— Você vai me jogar de um penhasco, é isso? — perguntei.
Gregório soltou uma gargalhada.
— Que confiança maravilhosa você tem no seu marido!
— Ué, você me acorda de madrugada, manda colocar um casaco e me leva pra um lugar desconhecido. Quer que eu pense o quê?
Ele segurou minha mão e beijou meus dedos.
— Prometo que vai gostar.
Alguns minutos depois, o carro entrou em uma propriedade cercada por campos verdes. Quando descemos, fiquei imóvel.
À nossa frente havia um balão de ar quente enorme, vermelho com detalhes dourados, sendo preparado por uma pequena equipe.
Levei as mãos à boca.
— Gregório… Você tá brincando!
Ele sorriu.
— Gostou?
— A gente vai andar nisso?
— Vai. Se você quiser, é claro.
Olhei novamente para o balão e depois para meu marido.
— Eu nunca andei de balão!
— Então vamos experimentar juntos.
Um piloto se aproximou, apresentou-se e explicou como funcionaria o passeio. O voo seria privativo, apenas nós dois acompanhados por ele. Depois de recebermos as orientações de segurança, entramos na cesta.
Quando o balão começou a subir lentamente, segurei a mão de Gregório com força.
— Meu Deus! Estamos subindo!
— Eu percebi, amor.
— Não debocha! Eu tô emocionada!
Ele riu e passou o braço ao redor dos meus ombros.
Aos poucos, o chão foi ficando distante. As árvores pareciam menores, os campos se estendiam até onde meus olhos conseguiam alcançar e, mais adiante, era possível enxergar o mar brilhando sob os primeiros raios de sol. O horizonte começou a ganhar tons de laranja e dourado.
Fiquei alguns segundos sem conseguir dizer nada.
— É lindo demais — murmurei.
Gregório olhou para mim.
— Valeu a pena acordar cedo?
— Valeu. Mas não se acostuma, tá? Continuo gostando de dormir.
Ele gargalhou.
Apoiei a cabeça em seu ombro e continuei admirando a paisagem. Nunca imaginei que passaria minha lua de mel daquela maneira. Meses antes, eu não conseguia sequer planejar o dia seguinte sem sentir um aperto no peito. Agora estava descobrindo lugares, fazendo planos e vivendo experiências que jamais havia considerado possíveis.
— Obrigada por isso — falei.
— Não precisa agradecer.
— Eu sei. Mas quero agradecer mesmo assim.
Gregório beijou minha testa.
— Então aproveita, senhora Hackman. Ainda temos muita coisa pra conhecer juntos.
Sorri e voltei a olhar para o horizonte.
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Quando o passeio terminou, encontrei outra surpresa esperando por nós.
Em uma parte tranquila da propriedade, sob a sombra de algumas árvores, havia uma toalha branca estendida sobre a grama, almofadas floridas e uma cesta de piquenique. Sobre uma pequena mesa estavam frutas, queijos, geleias artesanais, pães fresquinhos e duas taças.
Parei no meio do caminho.

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