Ava
Acordei com o cheiro de café e o som das ondas quebrando na praia. Por alguns segundos, fiquei deitada, tentando entender por que o quarto parecia tão diferente. Então olhei para a aliança no meu dedo e sorri. Estava na nossa lua de mel, em uma casa maravilhosa à beira-mar, e o homem com quem eu havia me casado no dia anterior provavelmente já estava acordado.
Estiquei o braço para o lado, encontrando apenas os lençóis ainda amassados. Gregório não estava na cama. Sentei-me devagar, peguei uma das camisas dele que havia ficado sobre a poltrona e a vesti antes de caminhar até a varanda.
Ele estava de costas, segurando uma xícara de café e observando o horizonte. Usava uma calça confortável e estava com os cabelos bagunçados, completamente diferente do homem impecável que costumava sair para resolver os negócios da organização.
Fiquei alguns segundos admirando aquela cena.
— Bom dia, marido.
Gregório se virou imediatamente. Quando me viu usando sua camisa, abriu um sorriso.
— Bom dia, minha esposa. Dormiu bem?
— Muito. E você?
— Melhor do que imaginei.
Aproximei-me, e ele me recebeu com um abraço. Encostei a cabeça em seu peito, aproveitando a brisa fresca que vinha do mar. Era bom estar ali, sem horários apertados ou compromissos esperando por nós.
— Achei que você ainda estivesse dormindo — ele comentou.
— Acordei sentindo cheiro de café. Impossível continuar na cama.
Gregório riu e pegou uma caneca que estava sobre a pequena mesa da varanda.
— Então isso aqui é seu.
Olhei para o objeto e comecei a rir.
Na caneca branca, escrito em letras douradas, estava: Sra. Hackman.
— Gregório!
— O quê?
— Você mandou fazer uma caneca com meu novo sobrenome?
— Mandei.
— Você não existe!
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Não gostou?
— Amei! Só não imaginava que você fosse fazer essas coisas.
— Vai descobrir muita coisa sobre mim, senhora Hackman.
Peguei a caneca e dei um gole de café antes de me acomodar em uma das cadeiras. Gregório se sentou ao meu lado, observando minha expressão divertida.
— Você tá gostando de ser casada comigo? — perguntou.
Fingi pensar por alguns segundos.
— Até agora, o serviço está excelente. Café na varanda, vista para o mar, marido bonito… Vou deixar uma avaliação de cinco estrelas.
Ele gargalhou.
— Fico feliz em saber.
— Mas ainda preciso avaliar o café da manhã completo.
— Você é impossível, Ava.
— Aprendi com você.
Continuamos conversando enquanto o sol subia lentamente. Gregório me contou que havia pedido para prepararem o café da manhã e que, depois, poderíamos conhecer a praia que havia mencionado na noite anterior.
— Você não tem nenhuma reunião hoje? — perguntei.
Ele me olhou como se eu tivesse acabado de dizer um absurdo.
— Ava, estamos na nossa lua de mel.
— Eu sei. Mas você vive com o celular tocando.
— Marco e César conseguem resolver as coisas por alguns dias. Se acontecer alguma emergência, vão me avisar.
— Então vou ter meu marido só pra mim?
Gregório segurou minha mão.
— Essa é a ideia.
Sorri e voltei a observar o mar. Eu sabia que as responsabilidades dele não desapareceriam simplesmente porque estávamos casados. Mas gostava de perceber que estava fazendo um esforço para separar aquele tempo para nós.
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