Ava
Gregório voltou a me beijar, e eu passei os braços ao redor de seu pescoço, aproximando-me dele. A música continuava tocando baixinho no quarto, misturada ao som das ondas que chegava pelas janelas entreabertas. Ainda custava acreditar que estávamos ali, longe de Nova York, sem os compromissos da mansão, sem os telefonemas constantes e sem ninguém esperando alguma decisão dele.
Éramos apenas nós dois.
Meu marido e eu.
Gregório afastou o rosto por alguns centímetros e observou minha expressão.
— Você está nervosa?
Soltei uma risada baixa.
— Está tão óbvio assim?
— Um pouquinho.
— Que vergonha.
Ele sorriu e acariciou meu rosto.
— Não precisa ter vergonha de mim, Ava.
Respirei fundo. Eu sabia disso. Gregório havia demonstrado tantas vezes que respeitava meus limites, mas estar naquela situação despertava inseguranças que eu ainda não tinha aprendido a controlar completamente. Não era minha primeira experiência com um homem. Eu havia vivido um relacionamento longo com Brian, dividido sonhos e feito planos com ele. O problema era que, depois de tudo que aconteceu, passei a associar intimidade à possibilidade de ser rejeitada.
— Posso te contar uma coisa? — perguntei.
— Pode me contar qualquer coisa.
Baixei os olhos por um instante.
— Tenho medo de você me olhar e começar a me comparar com outras mulheres. Sei que parece bobagem, mas às vezes ainda lembro das coisas que Brian e minha família diziam sobre mim.
A expressão de Gregório ficou séria.
— Ava, olha pra mim.
Obedeci.
— Eu me casei com você porque amo a mulher que você é. Não estou procurando outra pessoa, muito menos uma versão diferente da minha esposa.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas.
— Eu sei. Só que algumas coisas demoram a sair da cabeça.
— Então não precisa fingir que já superou tudo. — Ele beijou minha testa. — Temos uma vida inteira pela frente. Não existe nenhuma obrigação de fazer alguma coisa hoje só porque estamos na lua de mel.
Sorri, emocionada com sua resposta.
— Você sabe que é muito difícil resistir a esse seu lado compreensivo, né?
Gregório soltou uma gargalhada.
— É uma estratégia.
— Ah, então você está tentando me conquistar?
— Desde o dia em que uma mulher apareceu num bar, usando um vestido de noiva encharcado, e resolveu complicar a minha vida.
Dei um tapa leve em seu braço.
— Eu não compliquei sua vida!
— Não? Antes de você aparecer, eu não precisava discutir decoração de casamento, experimentar risoto ou ouvir uma mulher ameaçar trocar o marido por uma sobremesa.
Comecei a rir.
— O risoto era maravilhoso!
— Ainda estou com ciúmes daquele prato.
Nós dois gargalhamos, e a tensão que eu estava sentindo diminuiu. Era uma das coisas de que mais gostava em Gregório. Mesmo com toda aquela postura séria, ele sabia encontrar uma maneira de me fazer rir quando percebia que eu estava desconfortável.

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