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A Noiva Quebrada do Mafioso romance Capítulo 13

Ava

O sol batia no vidro da janela, filtrado pelas folhas alaranjadas lá fora.

Era um calor gostoso, silencioso, que invadia o quarto sem pedir licença.

Eu me virei na cama de lençóis claros e macios.

Por um instante, não reconheci o lugar.

Não havia barulho de trânsito, nem passos apressados, nem despertadores violentos.

Só o som do vento lá fora e dos pássaros anunciando que o mundo ainda existia.

Me sentei devagar.

Estava com a camisa dele.

Era grande, macia, cheirava a madeira e alguma colônia que grudava na pele como memória boa.

Passei os dedos no tecido. Sorri.

Levantei.

Quando me aproximei do espelho do quarto, respirei fundo.

A mesma Ava de sempre estava ali. Mas havia algo… diferente.

Eu não me xinguei.

Não torci o nariz.

Não tentei esconder meu corpo com os braços.

Pela primeira vez em muito tempo… eu só me olhei.

E, por um segundo, me achei bonita.

**

Desci as escadas descalça.

A madeira fria sob os pés, o cheiro de café vindo da cozinha, o som de uma música baixa tocando no rádio — jazz, de novo. Ele tinha bom gosto.

Gregório estava encostado no batente da varanda, com uma caneca na mão, olhando o lago.

O sol batia nos ombros dele, destacando cada linha daquele corpo forte e contido.

Não era o mesmo homem que matou alguém na minha frente.

Não era o mafioso temido de Nova Iorque.

Era só ele.

E, naquele momento, talvez fosse só meu.

— Bom dia — murmurei.

Ele virou devagar. Quando me viu, arqueou uma sobrancelha. Depois… sorriu. De verdade.

— Bom dia, Ava.

— Você acorda cedo — comentei, tentando esconder o nervosismo.

— Há anos. O mundo é mais silencioso de manhã. Eu gosto do silêncio. Dá pra pensar sem interferência.

Me aproximei e aceitei a segunda caneca que ele me entregou.

O café estava doce. E quente.

— E no que você pensa, quando tá aqui?

— Em como o mundo seria diferente se todo mundo tivesse direito a uma manhã assim.

Sorri, olhando pro lago.

— Eu nunca tive uma manhã assim. Nunca parei de verdade. Nunca... me senti viva desse jeito.

Ele me olhou. E eu senti o olhar. Era pesado, mas não sufocava. Era firme.

Era presença.

— Você tá viva. Muito mais do que imagina.

Bebi o café em silêncio por alguns segundos.

Depois, nos sentamos no deque.

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