Uma vez que a flecha é lançada, não tem como voltar atrás. Já que o processo estava encaminhado, esperar um pouco mais não seria o fim do mundo.
— Eu posso esperar, sem problemas. — Respondeu ela, confiante do outro lado da linha.
— Maravilha. Quando chegar a hora, eu entro em contato com você. E confesso que estou bastante ansioso para ver essa sua cirurgia acontecer.
— Muito obrigada, professor.
Assim que desligou o celular, Luana girou a maçaneta e entrou no quarto do hospital.
Seu pai continuava de prontidão ao lado da cama, limpando as mãos da esposa com um pano úmido. A mãe mantinha o olhar fixo no nada, com uma apatia cortante, sem esboçar qualquer tipo de reação. Parecia uma marionete vazia, da qual tivessem roubado a alma.
Luana se aproximou a passos curtos e tocou o ombro do pai.
— Pai, a liberação da patente saiu. Vai ser daqui a dois meses.
— A gente espera o tempo que for preciso. — Disse Danilo, esfregando as costas da mão da esposa com toda a delicadeza do mundo. — O que importa é garantir que a cirurgia vai acontecer e dar certo.
— O senhor não quer deitar um pouco? Já passou o dia inteiro cuidando dela. Deixa a enfermeira ajudar, se não a gente vai estar pagando alguém à toa.
O coração de Luana apertava ao ver o pai ali, vigiando a esposa de dia e de noite sem descansar, doando cada gota de sua energia.
Danilo virou o rosto para a filha, com um brilho de teimosia orgulhosa no olhar.
— Tem coisas que essas cuidadoras nunca vão fazer com o mesmo capricho que eu.
— E se o senhor acabar adoecendo de tanto cansaço, o que eu faço? — Retrucou ela, franzindo a testa.
— Eu descanso mais do que o suficiente, filha. Fica tranquila que eu não vou pifar. Agora, você... — Ele torceu a toalha na bacia de água e apontou o dedo. — Você está carregando bebês na barriga. Precisa se cuidar mais e parar de se estressar à toa. Não consigo me dividir no meio para cuidar da sua mãe e ainda ter que cuidar de você.
A preocupação rabugenta do pai arrancou um sorriso sincero dela.
— Tá certo, pai. Já entendi o recado.
Um tempo depois, Luana saiu do quarto. Lembrava-se de algo de repente e resolveu ligar para o irmão, Luiz.
No entanto, a chamada tocou até cair na caixa postal. Era final de semana, e ele estava de folga do trabalho.
"Para onde será que ele foi se enfiar num dia desses?", ela se indagou, confusa com o sumiço.
Ao sair do hospital, ela pediu um carro por aplicativo e seguiu direto para a residência da família Freitas. O carro que Luiz costumava dirigir estava parado na garagem, mas o celular dele continuava mudo após várias tentativas de ligação.
Luana olhou a mulher de cima a baixo, com o queixo no chão. Não sabia se dava um grito de raiva ou se caía na gargalhada diante do quão inacreditável era tudo aquilo.
Dez minutos se passaram.
Renata e Luiz estavam sentados lado a lado no sofá, que já havia sido devidamente arrumado. Os dois mantinham as cabeças baixas, em um silêncio constrangedor, exalando aquele nervosismo clássico de adolescentes que foram levados para a sala para conhecer os pais.
Luiz esfregava as mãos suadas, apavorado sob o olhar julgador da irmã, perdendo toda a compostura.
— Luana, eu... eu juro que ia te contar tudo, estava só esperando o momento certo.
— Desde quando isso está rolando? — Perguntou ela, cruzando os braços e se referindo ao envolvimento dos dois.
Renata mordeu os lábios, hesitando. Quando abriu a boca para se justificar, Luiz cortou o silêncio num impulso de proteção.
— A culpa foi toda minha!
Ao ouvir a confissão, Renata virou o rosto para ele, atônita com a atitude.
— A verdade é que eu já sou apaixonado pela Renata faz tempo, e não dou a mínima para o fato de ela ser mais velha do que eu. Ontem à noite, chamei ela para vir aqui me fazer companhia. A gente acabou bebendo um pouco de vinho e a coisa fluiu... — Luiz puxou o ar com força, reunindo toda a coragem que tinha guardada para encarar a irmã. — Luana, se você quiser ficar brava, pode brigar comigo! A culpa é minha, mas estou falando muito sério... Gosto dela de verdade!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
História finalizou assim ?...
Não tem mais atualização da história?...
A história acabou? Há dias não é atualizada, não sai do cap. 925......
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...