“Então vocês se encontravam com frequência?”
Horácio balançou a cabeça. “Já fazia muito tempo que não nos víamos.”
Enquanto conversavam, o carro chegou à entrada da Morada das Vinhas da família Rodrigues.
No foco dos faróis, havia uma silhueta parada.
O motorista freou bruscamente.
O corpo de Estefânia balançou com o impacto.
“Desculpa, senhorita, não vi que tinha alguém ali.” O rapaz ficou assustado, o suor escorria na testa.
“Não tem problema.”
Ela tirou duas notas da bolsa e as entregou a ele. “Aqui está pelo seu trabalho.”
“Senhorita, é dinheiro demais.”
“Você é tão jovem, trabalhar assim não é fácil, fique com o dinheiro.”
Estefânia se abaixou e saiu do carro.
Péricles já vinha se aproximando.
“Bebeu tanto assim que até chamou motorista de aplicativo?” O olhar dele recaiu sobre Horácio, analisando-o rapidamente. “Tão novo assim, já tem carteira de motorista? Estefânia, sua coragem está aumentando cada vez mais.”
A voz de Péricles era grave.
Ao ouvi-lo, Horácio ficou completamente imóvel de medo.
“Senhor, eu tenho sim a carteira.” Ele explicou com cuidado.
Era a primeira vez que ia a um bairro de gente rica, temia se envolver em confusão.
Nervoso, tirou a carteira de motorista da bolsa e mostrou para Péricles.
Estefânia olhou para Horácio. “Pronto, você já pode ir, não precisa mais ficar.”
“Tá bom.”
Viu o rapaz se afastar com a moto elétrica.
Estefânia voltou-se para Péricles e, com um tom sugestivo, perguntou: “Ele não lhe parece familiar?”
A testa de Péricles se franziu. “O quê?”
“Você não acha que ele lembra alguém?”
Péricles ainda não entendeu. “Lembra quem?”
“Lembra a sua paixãozinha.”
Estefânia sorriu, colocou a bolsa no ombro e entrou rebolando na Morada das Vinhas.
O efeito do álcool passara completamente, restando apenas um pouco de dor de cabeça.
Assim que entrou no quarto, tirou a roupa e foi para o banho.
De repente, Estefânia segurou o pulso dele, impedindo-o de abrir o último botão. “Péricles, quero muito saber, para onde você levou a Daniela?”
Ele não sabia por quê, mas ao perceber a preocupação dela, seu humor melhorou imediatamente.
O sorriso se espalhou pelo rosto.
“Você ainda se importa.”
Agora, Estefânia estava muito mais sóbria.
E não tinha mais aquela necessidade de reconquistar o coração de Péricles.
Ela não esquecera que ele causara sua morte na vida anterior.
“Só quero saber onde vocês se encontravam sem que a família Rodrigues soubesse.”
O rosto do homem se fechou.
Achou que precisavam mesmo conversar seriamente.
“Vamos conversar, Estefânia. Vamos falar de tudo, o que nos dói e o que nos alegra, sem ninguém ficar bravo, sem sair no meio. Vamos conversar de verdade, pode ser?”
Estefânia percebeu que Péricles queria mesmo tentar salvar a relação.
Mas ela não queria.
“Então assine primeiro o acordo de divórcio. Eu garanto que converso com você três dias e três noites se quiser.”
“Se conversar comigo direito, eu posso assinar.”

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