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A Morte dele Chega Antes do Divórcio? romance Capítulo 75

Estefânia havia acabado de chegar à porta do quarto do hospital.

Logo viu sua mãe, vomitando sangue em grandes golfadas.

Helder estava completamente perdido, os olhos cheios de lágrimas de dor e compaixão.

“Mãe.” Estefânia ficou apavorada, suas pernas amoleceram e, em poucos passos, chegou à beira do leito, segurando a mãe que quase caía. “Mãe, vai ficar tudo bem, logo teremos um novo medicamento, você vai se recuperar.”

“Estefânia...” Adriana apoiou-se, exausta, nos ombros da filha.

Ela havia emagrecido muito recentemente.

E, com o sofrimento da doença,

tornou-se ainda mais frágil.

O cateter que a enfermeira tinha colocado em seu braço mexia-se junto com a pele e os ossos, frequentemente dificultando a infusão do soro.

“Mãe, descanse um pouco, não fale mais nada.”

Adriana balançou a cabeça.

Já não tinha forças para resistir à dor. “Mãe não tem medo da morte, só não consegue deixar de se preocupar com você e com Marcelo, muito menos com seu pai.”

O coração de Estefânia se apertou de dor, o nariz entupido e os olhos ardendo.

Mas ela não podia chorar.

Forçou-se a parecer forte e consolou a mãe. “Não vai acontecer nada, mãe. Você vai melhorar, precisa acreditar.”

Adriana adormeceu profundamente nos braços da filha.

Helder, ao lado, enxugou as lágrimas discretamente.

Começou a nevar.

A neve caía silenciosamente.

Mais uma estação de tristeza havia chegado.

Pai e filha permaneceram do lado de fora do quarto por muito tempo...

“Pai, o senhor me culpa?”

Helder suspirou.

A coluna, antes ereta, agora estava curvada. “A doença da sua mãe não tem nada a ver com você.”

Estefânia virou o rosto para o pai e percebeu que os cabelos dele nas têmporas já estavam brancos.

Em poucos dias, parecia que haviam se passado décadas.

Os olhos ardiam.

Sentia-se confusa.

No passado,

pensava que, além de seu pai, só Péricles seria capaz de amá-la incondicionalmente.

Ele era seu escudo.

Sempre a protegeria de todos os males.

Mas, no dia em que o escudo se transformou em uma lança afiada e a feriu sem piedade,

ela não teve forças para revidar.

Jamais pensara que, ao renascer, acabaria por arrastar sua mãe à morte.

O calor daquele momento ainda permanecia, mesmo que distante.

Sentiu-se grata por, no mundo, ainda haver alguém que a amava incondicionalmente.

Naquele tempo, ele a valorizava mais do que à própria vida, e ela fazia o mesmo.

Como desejava que esse sonho nunca tivesse fim.

A neve, aos poucos, cobriu seus cabelos de branco.

Ela parecia uma escultura de gelo.

O coração, coberto de feridas.

O amor deixa marcas.

Ela não podia negar.

Estefânia estava quase completamente entorpecida pelo frio.

Só então levantou-se e voltou para o quarto do hospital.

“Por que você não morre logo? Sua doença não tem cura, você não sabia? Estefânia e Péricles vão se divorciar em breve, sua família Moreira vai à falência, vocês não terão dinheiro para o tratamento. Por que continuar sendo um peso para a família?”

Estefânia ouviu a voz de Daniela.

Ela abriu a porta e correu para dentro, olhando imediatamente para a mãe no leito.

Adriana estava tão abalada que o rosto ficou arroxeado; havia sangue fresco no lençol do leito.

“Mãe...”

Estefânia, imediatamente, deu um tapa no rosto de Daniela e repreendeu, furiosa: “Como você ousa vir ao hospital? Daniela, você está querendo morrer?”

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