Estefânia havia acabado de chegar à porta do quarto do hospital.
Logo viu sua mãe, vomitando sangue em grandes golfadas.
Helder estava completamente perdido, os olhos cheios de lágrimas de dor e compaixão.
“Mãe.” Estefânia ficou apavorada, suas pernas amoleceram e, em poucos passos, chegou à beira do leito, segurando a mãe que quase caía. “Mãe, vai ficar tudo bem, logo teremos um novo medicamento, você vai se recuperar.”
“Estefânia...” Adriana apoiou-se, exausta, nos ombros da filha.
Ela havia emagrecido muito recentemente.
E, com o sofrimento da doença,
tornou-se ainda mais frágil.
O cateter que a enfermeira tinha colocado em seu braço mexia-se junto com a pele e os ossos, frequentemente dificultando a infusão do soro.
“Mãe, descanse um pouco, não fale mais nada.”
Adriana balançou a cabeça.
Já não tinha forças para resistir à dor. “Mãe não tem medo da morte, só não consegue deixar de se preocupar com você e com Marcelo, muito menos com seu pai.”
O coração de Estefânia se apertou de dor, o nariz entupido e os olhos ardendo.
Mas ela não podia chorar.
Forçou-se a parecer forte e consolou a mãe. “Não vai acontecer nada, mãe. Você vai melhorar, precisa acreditar.”
Adriana adormeceu profundamente nos braços da filha.
Helder, ao lado, enxugou as lágrimas discretamente.
Começou a nevar.
A neve caía silenciosamente.
Mais uma estação de tristeza havia chegado.
Pai e filha permaneceram do lado de fora do quarto por muito tempo...
“Pai, o senhor me culpa?”
Helder suspirou.
A coluna, antes ereta, agora estava curvada. “A doença da sua mãe não tem nada a ver com você.”
Estefânia virou o rosto para o pai e percebeu que os cabelos dele nas têmporas já estavam brancos.
Em poucos dias, parecia que haviam se passado décadas.
Os olhos ardiam.
Sentia-se confusa.
No passado,
pensava que, além de seu pai, só Péricles seria capaz de amá-la incondicionalmente.
Ele era seu escudo.
Sempre a protegeria de todos os males.
Mas, no dia em que o escudo se transformou em uma lança afiada e a feriu sem piedade,
ela não teve forças para revidar.
Jamais pensara que, ao renascer, acabaria por arrastar sua mãe à morte.
O calor daquele momento ainda permanecia, mesmo que distante.
Sentiu-se grata por, no mundo, ainda haver alguém que a amava incondicionalmente.
Naquele tempo, ele a valorizava mais do que à própria vida, e ela fazia o mesmo.
Como desejava que esse sonho nunca tivesse fim.
A neve, aos poucos, cobriu seus cabelos de branco.
Ela parecia uma escultura de gelo.
O coração, coberto de feridas.
O amor deixa marcas.
Ela não podia negar.
Estefânia estava quase completamente entorpecida pelo frio.
Só então levantou-se e voltou para o quarto do hospital.
“Por que você não morre logo? Sua doença não tem cura, você não sabia? Estefânia e Péricles vão se divorciar em breve, sua família Moreira vai à falência, vocês não terão dinheiro para o tratamento. Por que continuar sendo um peso para a família?”
Estefânia ouviu a voz de Daniela.
Ela abriu a porta e correu para dentro, olhando imediatamente para a mãe no leito.
Adriana estava tão abalada que o rosto ficou arroxeado; havia sangue fresco no lençol do leito.
“Mãe...”
Estefânia, imediatamente, deu um tapa no rosto de Daniela e repreendeu, furiosa: “Como você ousa vir ao hospital? Daniela, você está querendo morrer?”

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