“Se houver amor verdadeiro, isso basta. Não me importo se recebem ou não a nossa união com bênçãos.” Ele demonstrou firmeza.
Péricles arqueou uma sobrancelha.
Em seguida, fez um gesto de aprovação para Leonel, levantando o polegar.
Seu olhar estava repleto de deboche.
Zombava da ingenuidade dele, de seus sonhos impossíveis.
……
No quarto do hospital.
Helder, ao ver os olhos sem brilho de Estefânia, não conseguiu conter as lágrimas.
“Como você ficou cega de repente? O médico disse quando vai melhorar?”
Nesses dias, Estefânia já tinha se adaptado à escuridão e confortou o pai, com doçura: “Foi por causa da febre, mas não se preocupe. O médico disse que é temporário, talvez em breve eu volte a enxergar.”
Helder ficou desolado de preocupação.
Insistiu que queria voltar para casa, para cuidar de Estefânia.
Ela não conseguiu convencê-lo do contrário.
“Estou realmente bem.”
“Não, preciso ter alta. Peço ao médico a receita, basta tomar os remédios certinho. Essa doença já é antiga, não é o fim do mundo. Vamos juntos para casa.”
Estefânia não teve como vencer a teimosia de Helder.
Acabou pedindo que Nicolas providenciasse a alta hospitalar.
Assim, retornaram juntos para a casa da família Moreira.
Flávia ficou responsável pelos cuidados diários dela e do pai.
Nicolas assumiu as tarefas mais pesadas dentro e fora de casa.
Leonel passava todos os dias para visitar ela e o pai.
Ficava ao lado dela, conversando, distraindo-a.
Nos finais de semana, Giselda a levava para um café, para sentir o calor da vida cotidiana.
Talvez pelo ânimo renovado, Estefânia começou a perceber alguma sensibilidade à luz nos olhos.
Já não era mais aquela escuridão total de antes.
“Flávia, hoje vamos ao Pico do Sol Nascente fazer nossas preces. Já está tudo pronto?”
“O Dr. Carneiro disse que vai nos acompanhar.” Flávia respondeu enquanto arrumava as coisas.
Estefânia soube que Leonel vinha tendo sérias desavenças com a família Carneiro ultimamente, em grande parte por causa dela.
Algumas reportagens falavam de forma bastante ofensiva.
Isso a preocupava.
Pensava em se afastar dele, pouco a pouco.
“Flávia, ligue para o Dr. Carneiro e diga que já saímos. Não deixe que ele venha conosco.”
“Sim, senhorita.”
O teleférico se aproximou.
Péricles pegou Estefânia no colo, sentou-se com ela, e disse a Flávia, que se preparava para embarcar: “Espere por nós na base da montanha e cuide bem da cadeira de rodas.”
“...Se-senhorita, será que pode ser assim?”
Antes que Flávia terminasse a frase,
O teleférico já havia partido.
Do sopé ao topo da montanha, a viagem de teleférico durava quase uma hora.
O percurso era lento.
Permitindo apreciar a paisagem ao redor.
Estefânia conseguia perceber um tom esverdeado ao redor, mas não conseguia distinguir detalhes.
Ficava apenas olhando, com o olhar vazio.
“No passado, subimos juntos esta montanha, lembra? No templo do topo, fizemos preces para ter um filho. Você se recorda?”
A voz masculina soava suave e carinhosa.
Seus dedos, sem perceber, tocaram o dorso da mão dela.
Na outra vida, aquela lembrança era preciosa.
Estefânia se lembrava.
No segundo mês após aquela prece, ela engravidou. Foi então que Daniela Ribeiro apareceu e sua relação com Péricles começou a se deteriorar.

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