As mãos grandes dele pousaram suavemente sobre o ventre saliente dela. Naquele instante, tudo pareceu extraordinário, como se... ele tivesse segurado nos braços o próprio filho deles.
“Péricles, não se mexa à toa.” Ela demonstrou desagrado e o empurrou levemente.
Péricles a pegou no colo e caminhou em direção à banheira. “Só estou emocionado, Estefânia. Você ainda me ama, caso contrário, não estaria esperando nosso filho, certo?”
“Isso foi apenas um acidente.”
“Um acidente, mas você decidiu manter, não foi?” Ele a colocou delicadamente dentro da banheira. “Estefânia, estou ansioso para ver um bebê que se pareça tanto com você quanto comigo surgir em nosso mundo. Acho que seremos muito felizes quando isso acontecer.”
Felicidade?
Ele era realmente um otimista.
“Saia, por favor. Quando terminar, eu chamo você.”
Péricles assentiu obedientemente. “Está bem, ficarei lá fora.”
Fechou a porta suavemente.
Péricles foi até a varanda, abaixou a cabeça e viu os brotos verdes das plantas.
Gabriela dissera que eram sementes de rosas que Estefânia havia plantado e que floresceriam ainda aquele ano.
Ele pensou que, quando as rosas florescessem, eles teriam um desfecho perfeito.
Acendeu um cigarro e levou aos lábios.
Levantou a mão para proteger a chama do vento e o acendeu.
Não chegou a fumar, apenas deixou entre os lábios, permitindo que queimasse até o fim.
……
Já era alta madrugada.
O braço grande de Péricles envolvia a cintura de Estefânia.
Desde que perdeu a visão, o mundo dela se invertera entre o dia e a noite.
Péricles dormia profundamente.
Ela, porém, estava completamente desperta.
O único pensamento em sua mente era fugir.
Mas ele não ia ao Grupo Rodrigues, nem saía de casa. Cada passo que ela dava, ele observava atentamente.
Querer partir era quase impossível.
Sentindo-se desconfortável, ela virou de lado.
Ela não queria mais dividir a mesma cama com Péricles.
Tinha medo que ele se descontrolasse.
Temia que ele aproveitasse qualquer pretexto.
……
No início da manhã.
Gabriela entrou pelo jardim. “Senhor, senhora, o Sr. Carneiro chegou.”
Mal terminara de falar.
Leonel entrou na sala com um passo decidido.
Atrás dele, veio o imponente Nicolas.
“O que vocês... vieram fazer aqui em casa?” Péricles ficou alerta.
Leonel não fez cerimônia e foi direto ao ponto. “Vim buscar a Estefânia para levá-la de volta.”
“O que você disse?” Péricles achou graça, apertou os dentes e retrucou com certo desprezo. “Você veio buscá-la para casa? Ela é o quê sua? Leonel, você realmente se acha namorado da Estefânia?”
“Péricles, nossa posição é a mesma. Para Estefânia, não passamos de... homens sem nenhum vínculo.” Leonel olhou o relógio e disse, sem rodeios: “Antes de entrar, já chamei a polícia. Em meia hora, os policiais devem chegar. Você escolhe: libera ela agora ou espera a polícia para liberar. Decida-se.”

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