Na vida passada, enquanto ele a cortejava, não era apenas cozinhar que fazia por ela — até mesmo quando precisava ir ao banheiro, ele a carregava nos braços.
Ele a amava com intensidade, de forma apaixonada e voluntária.
Ela acreditava, então, que havia escolhido o homem certo para se casar.
No entanto, esqueceu-se de que o interesse dos homens por novidades costuma durar pouco.
Durou tão pouco que, antes mesmo de ela deixar de amá-lo, ele já havia começado a magoá-la.
Ao ouvir um barulho, o homem enxugou as mãos e saiu da cozinha.
“Você acordou. Preparei um açaí cozido, tome um pouco”, disse ele.
A voz dele sempre fora agradável.
Quando falava em tom baixo e suave, tornava-se ainda mais cativante.
Entretanto, Estefânia agora permanecia indiferente. “Por que você ainda não foi embora?”
Ela não sentia fome e sentou-se exausta no sofá, nitidamente abatida.
Ele se acomodou delicadamente ao lado dela, afagando seus cabelos como se acalmasse uma criança. “Vou embora assim que você comer.”
Ela ergueu os olhos.
Quando seus olhares se encontraram, havia apenas estranheza.
Para Estefânia, gestos como aquele, tentando reconquistar, não tinham mais significado.
Ele estava cansado.
Ela, mais ainda.
“Não adianta, Péricles, não insista em esforços inúteis.”
“Estou fazendo de coração”, ele sorriu.
Estefânia balançou a cabeça com dor. “Nunca vou te perdoar, não importa o que faça.”
Ela mordeu o lábio, os olhos trêmulos, tentando conter as lágrimas que insistiam em cair.
Ela admitia que, às vezes, não conseguia controlar as emoções.
Não era porque ainda o amava.
Era a lembrança amarga do sofrimento que havia vivido.
Repetidas vezes, como seu coração poderia suportar?
“Não morda”, ele acariciou suavemente os lábios dela com a ponta dos dedos, o olhar cheio de compaixão. “Se quiser morder, morda a mim, não a você mesma, porque isso me machuca.”
As lágrimas transbordaram.
Estefânia estava frágil ao extremo.
Ele a abraçou e beijou seus lábios trêmulos, com um misto de desculpas e arrependimento.
Mil, dez mil pedidos de desculpas não seriam suficientes para compensar três vidas perdidas. Ele não tinha perdão, ele sabia disso.
Já não sabia quantas vezes havia pedido perdão.
Nenhuma delas obteve resposta.
No ramo de joias, muitos clientes eram novos-ricos.
Gostavam de ostentar diante dos outros.
Antes, Estefânia conseguia lidar com essas situações com habilidade.
Hoje…
“Vamos ver. Ele sabe que estou grávida; se insistir para que eu beba, então nem vale a pena fechar negócio.”
“É verdade.”
Ao passarem pelo salão reservado,
Darius já estava sentado. Seu assistente, ao ver Estefânia, logo a convidou a sentar.
“Sr. Moreira, nosso Sr. Teixeira já está esperando há um bom tempo. Acho que, por isso, a senhora deveria brindar três copos, não acha?”
Já com o copo servido, o assistente ergueu um para Estefânia.
Beatriz rapidamente pegou o copo. “Vicente, que conversa é essa? Não chegamos atrasadas, vocês é que chegaram cedo. Não tem problema, eu bebo por Dra. Moreira.”
Beatriz bebeu de uma vez.
O gosto era forte e amargo.
Darius, percebendo que Estefânia não lhe deu essa deferência, mostrou-se contrariado. “Dra. Moreira, antes a senhora não era assim.”
“Desculpe, Sr. Teixeira, mas estou grávida, realmente não posso beber”, respondeu Estefânia. Ela era magra, mas sua barriga já se mostrava levemente saliente, deixando claro que estava grávida.

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