Estefânia sorriu calmamente e disse: “Acho que sim”.
“Você sente alguma coisa?” Giselda, temendo que Estefânia não tivesse entendido o que queria dizer, acrescentou: “Quero dizer, se ele realmente morrer, você ficaria triste?”
“Depende do momento.”
Naquele período de gestação, ainda sentia muitos enjoos e não tinha energia para se preocupar com os sentimentos de outros.
Mesmo que sentisse tristeza, não caberia a ela.
Ele ainda não tinha a Daniela?
Na vida passada, ele sacrificou a vida por ela.
Nesta existência, não se podia garantir que Daniela faria o mesmo por ele.
Se tivesse sorte, talvez ela chorasse pelo luto, nada mais.
Ela e ele já estavam divorciados.
Sem qualquer vínculo entre ambos, ela não compareceria ao local.
Tanto fazia se ele estivesse vivo ou morto.
“Você está tão lúcida agora que mal posso acreditar que ainda seja aquela Estefânia apaixonada de antes.”
“Se apaixonar pela pessoa certa pode ser uma tolice para a vida inteira, mas infelizmente, esse não é meu destino.”
Felizmente, tudo aquilo havia passado.
O que a esperava era uma vida nova.
A partir de então, ele seria apenas um desconhecido.
Desligou o telefone de Giselda.
Estefânia foi preparar chá para Helder.
“Pai, tome um chá.”
Aquele chá havia sido trazido de Maravilha Azul.
Foi a mãe quem, anos atrás, comprou pessoalmente para o pai.
Sempre que tomava aquele chá,
Helder era tomado pela saudade.
“Desta vez, viemos às pressas e acabamos esquecendo algumas lembranças da sua mãe.”
Estefânia, em silêncio, serviu o chá na xícara de Helder: “Pai, guardar objetos só machuca o coração. Quando você não se sentir tão triste, volto a Maravilha Azul e trago todas as coisas da mamãe.”
Helder olhou para a filha.
Sentia uma mistura de emoções sufocantes no peito.
Palavras de saudade pela esposa falecida e pelo filho perdido chegaram aos lábios, mas ele as engoliu.
Não era que Estefânia fosse insensível.
Desde que mãe e irmão faleceram, a saúde do pai também vinha piorando a cada dia.
Mantinha-se preso àquela tristeza.
Talvez em breve ela também perdesse o pai.
Não suportava a ideia.
A noite caiu, silenciosa.
Lá fora, a chuva caía de leve.
Assim era o clima no mundo dela: nunca clareava.
Caio tirou um tempo para fumar um cigarro na sala reservada.
O médico informou que Péricles não apresentava danos orgânicos significativos.
Mas ele simplesmente não queria acordar.
Parecia haver duas batalhas internas em seu corpo,
lutando entre a vida e a morte.
Caio se lembrou do papel do divórcio e do feto morto.
Nem todos suportariam tal dor, que dilacera o coração.
Durante a doença grave de Péricles, Caio tentou entrar em contato com Estefânia.
O número dela estava fora de serviço.
No Whatsapp, já havia sido bloqueado.
Ela havia desaparecido completamente do mundo.
...
Estefânia marcou com Catarina em seu ateliê de joias.
Ela retornou ao país sem avisar ninguém, nem mesmo Giselda.
O motivo era simples.
Assim que resolvesse o problema de trabalho, voaria imediatamente de volta para a Suíça.
Mas não esperava que
a primeira frase de Catarina não fosse sobre joias.

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