Foi ela quem brandiu contra ele a lâmina mais afiada que possuía.
Ela quis romper com ele de maneira definitiva.
Mesmo que isso significasse abrir mão do filho deles.
Ele a decepcionou de tal forma…
A decepção foi tamanha que não restou qualquer margem para reconciliação.
Ele… a perdeu.
Fechou os olhos.
Lágrimas escorreram pelo canto dos olhos de Péricles…
O avião, a dez mil metros de altitude, continuou a seguir rumo à Noruega.
Caio recolheu silenciosamente toda aquela bagunça.
Quando uma mulher se mostrava realmente decidida, até os homens mais fortes tinham que sair de cena.
Para quê prolongar aquilo?
Se o amor acabou, que se separem.
Se for para divorciar, que conversem de maneira civilizada.
Usar o próprio filho para punir outra pessoa, não seria também uma forma de autossabotagem?
A criança já estava praticamente formada.
Caio não conseguiu reprimir um suspiro, tomado de tristeza e sufocamento.
Depois de arrumar tudo,
Caio sentou-se em uma poltrona próxima a Péricles, e fixou o olhar nos ombros que tremiam levemente, tomado por sentimentos contraditórios.
Seria o amor, no fim das contas, apenas dor?
Ele realmente não conseguia compreender.
De repente…
O avião enfrentou uma turbulência.
O alarme soou na cabine, a luz vermelha piscava sem parar, acompanhada de um zumbido estridente…
Péricles sentiu uma dor de cabeça insuportável.
Apertou o crânio com as mãos, em total desespero.
A mente começou a se tornar turva.
Ao longe, só conseguia ouvir a voz aflita de Caio: “Sr. Rodrigues, Sr. Rodrigues, acorde…”
A voz parecia cada vez mais distante.
Distante a ponto de ser quase inaudível.
Péricles segurou as têmporas.
Por que sua cabeça estava tão cheia, tão apertada de repente?
Quando Estefânia chegou à Suíça,
passou todos os dias acompanhando Helder para distraí-lo.
Os dias transcorreram tranquilos.
O humor do pai, após deixar aquele lugar de tristeza, estava gradualmente melhorando.
Ela se sentiu aliviada com isso.
Giselda fazia videochamadas com ela quase todos os dias.
Sempre conversavam sobre fofocas da Maravilha Azul.
“Olha, vou te dizer, enquanto Péricles esteve fora da Maravilha Azul, as notícias escandalosas diminuíram. Ficou até sem graça, nem dava vontade de reclamar.”
Estefânia sorriu. “Então escolha outro para criticar, homem canalha é o que não falta.”
“Agora já temos outro motivo para falar mal.” Giselda hesitou em contar tudo a Estefânia. “Enfim, você nem deve querer saber das novidades dele.”
“Quem?”
“Quem mais poderia ser? O próprio Péricles.” Esse desgraçado tinha voltado às manchetes da Maravilha Azul. “O avião particular dele sofreu um acidente, parece que pegou uma turbulência, e com o mau tempo… enfim, foram várias causas e acabou caindo.”
Estefânia ficou surpresa.
O avião caiu?
“Morreu?”
“Pois é, dizem que gente ruim não morre fácil. Aquele desgraçado ainda teve sorte: depois da pane, o avião caiu no meio de uma mata e ele sobreviveu. Mas desde então não acordou mais, só fica delirando, como se estivesse possuído. Dizem que a família Rodrigues procurou várias benzedeiras para fazer trabalhos espirituais, mas… não adiantou muito. Você não acha que isso é um tipo de castigo?”

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