Os olhos dele brilharam com resignação e relutância.
Ele sabia.
Ela não se importava com nada.
……
A família Carneiro deu enorme importância ao noivado de Leonel e Noelia.
Convidaram figuras notórias de Maravilha Azul para o evento.
Apesar de, nos bastidores, terem tido sérias desavenças com Péricles.
No entanto, ao se encontrarem, mantiveram o respeito e a cordialidade, trocando discursos cerimoniosos e palavras de cortesia.
A maioria dos convidados tratou o noivado como uma oportunidade de networking; todos agiam com diplomacia, cada um com suas próprias intenções ocultas.
Péricles conversava com outros presentes.
Estefânia procurou um lugar para se sentar.
Ultimamente, ela andava muito preguiçosa e sonolenta, sem interesse por nada.
Seus gostos também haviam mudado.
Passara a preferir sabores ácidos e doces, então comprara um monte de ameixas cristalizadas.
Nessa ocasião, Estefânia encontrou Catarina novamente.
“Senhora,” Catarina chamou de maneira afetuosa.
Deixando de lado o glamour de celebridade, Estefânia não tinha muita simpatia por ela. “Não somos íntimas, pode me chamar pelo nome.”
“O certo seria chamar de Sra. Rodrigues, de fato ultrapassei os limites.” Catarina pegou duas taças de champanhe da bandeja de um garçom e entregou uma a Estefânia. “Sobre aquelas notícias dos últimos dias, não se preocupe, aqueles paparazzi só sabem inventar coisas.”
“Mosca só pousa em ovo rachado, não é?” Ela sorriu, mantendo a serenidade.
Catarina ficou um pouco constrangida, mas manteve a compostura. “De agora em diante, terei mais cuidado.”
Um enjoo repentino subiu.
Estefânia murmurou um pedido de desculpas e seguiu para o banheiro.
Não tendo comido quase nada, naturalmente não conseguiu vomitar.
Naquele dia, sentia-se especialmente indisposta.
Ergueu os olhos e, pelo espelho, viu Leonel.
Seu coração disparou; rapidamente virou-se e cumprimentou: “Dr. Carneiro.”
Ele parecia ter muito a dizer.
Ela não evitou e respondeu com franqueza. “Trocamos votos de felicidade. Sempre há algumas decepções na vida, mas talvez elas sejam apenas outros caminhos para a felicidade, não acha?”
Ele admitiu que ela tinha razão.
Mas por que, então, as decepções dele sempre o levavam a um beco sem saída, ao inferno?
Ele não sabia por quê, mas sentia que poderia perdê-la a qualquer momento.
Como se, ao acordar um dia, ela simplesmente não estivesse mais ali.
“Estefânia.” Ele a abraçou suavemente. “Entre nós, haverá decepções?”
Estefânia não lhe deu uma resposta.
Entre eles, não se tratava de decepção, mas de fim.
Dois que já se amaram.
Sair da vida um do outro era doloroso.
Mas essa dor, repetida dia após dia, acabava perdendo o poder de dilacerar o coração.
……
No salão, a cerimônia de noivado prosseguia em meio às bênçãos dos presentes, ostentando uma felicidade apenas aparente.

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