Ela caminhava de cabeça baixa, sem dar qualquer resposta à explicação dele.
Ele apertou suavemente a mão dela e também permaneceu em silêncio.
……
Parecia que os dias haviam voltado a ser como antes.
Só que ele já não tinha tanta pressa em vê-la. Na maioria das vezes, ficava até tarde na empresa, participando de compromissos sociais sem parar e frequentemente voltava para casa com cheiro de álcool.
Estefânia continuava como antes.
Cuidava dele, ajudava-o a tomar banho e pedia para Gabriela preparar sopa para curar a ressaca dele.
Era como se nada tivesse mudado.
Mas, ao mesmo tempo, tudo havia mudado.
O convite para a festa de noivado de Leonel e Noelia chegou à casa deles.
Gabriela entregou o convite a Estefânia, dizendo: “A família Carneiro enviou alguém especialmente para entregar, pediu que a senhora e o senhor comparecessem, sem falta.”
Estefânia observou o convite branco com letras douradas em relevo.
Lembrou-se da vida passada, quando ficou noiva de Péricles.
A cidade inteira comentou sobre o acontecimento.
Aquele noivado parecia mais uma festa de proporções épicas.
A celebração durou três dias e três noites.
A imprensa de Maravilha Azul descreveu o sentimento de Péricles por ela como o amor da vida inteira dele.
Num piscar de olhos, tudo havia mudado.
Péricles entrou com uma grande caixa nos braços e olhou para Estefânia.
“O convite chegou?”
Estefânia assentiu. “Sim.”
“Esta é a roupa de festa que pedi para fazer especialmente para você. Use esta amanhã.” Péricles entregou o vestido a Estefânia.
Era uma peça artesanal de um designer renomado.
O tamanho seguia as medidas antigas dela.
Mas era bonita demais; se usasse aquilo no evento, certamente ofuscaria a noiva.
“Não gostou?” Ele olhou para o espelho, vendo o rosto franzido da mulher.
Estefânia concordou com a cabeça. “Não é muito adequada. Vou escolher um vestido mais simples, está tudo bem.”
Ele interpretou que Estefânia estava rejeitando.
Achava que tudo o que ele dava, ela não gostava.
Ela queria humilhá-lo daquela forma.
“Se não serve, corte então.” Péricles olhou para Gabriela e disse friamente: “Gabriela, traga a tesoura.”
Gabriela se assustou.
Aquele vestido custava, no mínimo, centenas de milhares.
Embora Péricles fosse rico, não precisava desperdiçar daquele jeito.
Era um desperdício terrível.
“Gabriela, limpe isso.”
“Sim.”
Estefânia virou-se e caminhou para o quarto.
Péricles a seguiu com passos largos.
Assim que chegou à porta, ele a pressionou contra o batente e a beijou.
O beijo trouxe consigo o cheiro de álcool e a raiva dele.
Estefânia detestava ser forçada daquela maneira.
Instintivamente, tentou empurrá-lo, mas ele foi mais rápido e segurou firmemente os pulsos dela. “Estefânia, afinal, o que você quer? É tão difícil assim me tratar bem?”
“Quem está com raiva é você, não eu.” Ela já estava muito calma.
“Diga o que você quer para ser feliz. O que deseja? Carro, casa, diamantes ou estrelas? Basta me pedir, e eu dou.”
Estefânia sorriu.
Sorriu da imaturidade de Péricles.
O dinheiro de fato compra quase tudo.
Mas não compra arrependimento, tampouco aquece um coração já frio e distante. “Péricles, quando eu souber o que quero, eu te aviso.”

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