Leonel abriu a porta do carro e olhou para ele com indiferença. “Péricles, você também já passou da hora de mudar, senão tudo ficará perdido.”
Ao som do motor, Leonel partiu dirigindo.
Giselda, que estava na varanda, viu e ouviu toda a conversa entre os dois homens.
“Será que esse Péricles tem alguma doença oculta? Além de brigar, ele sabe fazer o quê? Ele é supermasculino?” Giselda virou-se e foi até Estefânia, sentando-se ao seu lado. “O gene de um homem tão ruim assim merece a extinção.”
“Não vai se extinguir. Em Maravilha Azul, não faltam moças de família que dariam tudo por ele.” Estefânia respondeu, sem qualquer emoção.
Giselda passou a mão no queixo e refletiu por alguns instantes. “Um homem, para ser desejado por tantas mulheres, além de dinheiro e aparência, só pode ser pelo desempenho sexual. O Péricles… é potente?”
A pergunta causou certo constrangimento.
Diante de uma questão tão íntima, Estefânia não quis entrar em detalhes.
Quanto menos ela falava, mais curiosa ficava Giselda. “Aqui só estamos nós duas, vai se envergonhar de quê? Até para contratar um modelo masculino é preciso saber quanto tempo dura o serviço. Faz de conta que o Péricles é um garoto de programa, ele é aprovado?”
Estefânia não soube como responder.
Apenas fez um muxoxo. “Já faz muito tempo que não fazemos nada. Não tenho vontade.”
“Não fazer é até melhor, diminui o risco de pegar doença. Mulher tem que se cuidar, ainda mais com tanto caso de AIDS, o importante é se proteger.”
Mesmo assim, Giselda não largou o assunto anterior.
“E antes, quanto tempo ele aguentava?”
O suor apareceu na testa de Estefânia. “Não pergunta mais isso, por favor. Se está tão curiosa, por que não manda uma mensagem e pergunta direto para ele?”
“Agora está protegendo ele? Não me diga que ele é daqueles de só três minutos?”
“Se você acha que sim, então é.” Estefânia estava exausta, só queria dormir um pouco. “Vou deitar um pouco.”
“Poxa, então ele é mesmo… só fachada, hein…”
……
De volta à casa dela com Péricles.
Estefânia nunca mais tocou no assunto do divórcio.
Seu comportamento não mudou em nada em relação ao passado.
“Gabriela, vou te contar uma história.”
“Conte sim.”
“Eu tinha uma amiga. O marido dela também se apaixonou por outra. Ela engravidou e tentou reconquistá-lo, tentou resgatar o amor dele. Deu muito dinheiro para a amante, para que ela deixasse o homem, mas quando a amante foi embora, aconteceu um acidente. Aquilo foi o início do seu pesadelo…”
“Depois disso, o homem botou toda a culpa nela, procurava mulheres fora de casa o tempo todo, até que minha amiga teve que ir para a maternidade dar à luz. Só então ele apareceu, constrangido e atrasado.”
“O triste é que ela teve complicações no parto, e o mais lamentável… ele assinou o termo de desistência do salvamento. No fim…”
Estefânia fechou os olhos.
Lágrimas escorreram pelo canto dos olhos.
Gabriela sentiu o coração apertar. “Esse homem não presta. Por causa de uma amante, ele abandonou a esposa e o próprio filho?”
“Pois é, eles já foram tão apaixonados… Mas de que adianta ter sido assim?” Estefânia sorriu amargamente e olhou para Gabriela. “…Se você fosse minha amiga, perdoaria esse homem?”
“Claro que não. Eu teria vontade de acabar com ele. Isso não é coisa de gente, nem bicho faz isso.” Gabriela respondeu indignada.

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