As palavras dos transeuntes.
Chegaram uma após a outra aos ouvidos de Estefânia.
Diziam que, quando um homem adquiria dinheiro, não resistia a novas tentações.
A mulher, para eles, não passava de uma moeda para alimentar uma confiança forçada.
No fundo, continuavam inseguros.
Gastavam um pouco, endireitavam a postura com o próprio dinheiro, o que até se compreendia.
Porém, ao aplicar toda essa astúcia no casamento e ferir quem lhe acompanhava sinceramente, mereciam desprezo.
O flagrante da traição ainda se encontrava caótico.
Não importava de que maneira a amante invadisse um casamento antes feliz.
O desfecho era sempre o mesmo: a esposa legítima era expulsa de vez do mundo deles.
Quem seria capaz de engolir tal humilhação?
A aparência de respeito nas uniões das famílias abastadas era comprada ao custo do silêncio e resignação da esposa, garantindo uma falsa tranquilidade.
Diferente dessas famílias comuns.
Podiam, sem se importar com aparências, exigir justiça em plena rua, aos gritos.
Estefânia compreendia bem as regras obscuras do jogo.
Virou-se.
Dirigiu-se a uma loja de luxo.
Gastou milhões de reais sem hesitar.
Quando Péricles recebeu a mensagem no celular, ficou surpreso de imediato.
O que o espantou não foi o valor da compra, mas sim o fato de Estefânia finalmente ter usado o cartão dele.
Para ser sincero.
Sentiu até certo prazer íntimo.
Ligou para ela em seguida.
Com voz suave, disse: “Alô? Estefânia, o que você comprou?”
“Comprei algumas coisas que gostei.” A voz de Estefânia soou tranquila, como antes. “Mas havia algumas bolsas de edição limitada, um pouco mais caras.”
“Não tem problema, se gostou pode comprar.”
A mulher respondeu docemente: “Obrigada, meu bem.”
Aquele “meu bem” fez com que Péricles sentisse um calor inesperado.
Fazia tempo que não sentia aquilo.
Chegou até a endireitar as costas.
“Não precisa agradecer ao marido.”
De fato, Estefânia não se conteve.
Caio assentiu: “Entendido.”
……
No hospital.
Daniela viu Rosana se aproximar.
Forçou-se a sentar-se, “Senhora, por que veio?”
“Daniela, você me enganou feio.” O rosto de Rosana estava sombrio. O olhar, antes afetuoso, agora expressava desprezo. “Você vivia dizendo que amava nosso Henrique, que queria vingar-se por ele. É assim que você faz isso?”
“Senhora, do que está falando? Eu quero mesmo vingar o Henrique.”
Daniela dava muito valor à família de Henrique.
Principalmente a Rosana, que tratava como mãe.
“Senhora, não está havendo algum engano?”
Com o rosto frio, Rosana respondeu: “Não estou enganada. Você sabe muito bem o que fez.”
“Senhora, explique-se melhor, por favor.”
A postura de Daniela esfriou o coração de Rosana.
Antes, Rosana achava Daniela gentil, sensata e ingênua.
Agora, via que tudo não passava de encenação.
“Precisa que eu explique melhor? Então me diga, por que você está no hospital?”

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