“Alô, Péricles, você poderia vir ao hospital? Por favor, estou te implorando.” Estefânia chorava intensamente.
O coração de Péricles disparou. “O que aconteceu? Não chore, fale devagar.”
“Venha rápido, por favor, venha logo...”
Estefânia mal conseguia falar de tanto chorar.
Péricles sentiu um pressentimento ruim.
Assim que desligou o telefone, foi imediatamente para o hospital onde Estefânia estava.
Os olhos dela estavam tão inchados de tanto chorar que pareciam duas nozes.
Ao ver Péricles, ela caiu de joelhos diante dele.
“Péricles, por favor, salve o Marcelo, ele está morrendo. Doe sangue para ele, por favor? Eu faço qualquer coisa que você pedir, agora só você pode salvá-lo, estou te implorando…”
Estefânia juntou as mãos, fazendo gestos de súplica repetidamente.
Só então Péricles soube que Marcelo havia sofrido um acidente de trânsito e estava tendo uma hemorragia grave.
Da última vez, quando Marcelo se feriu, ele cedeu sua vez na cirurgia para Daniela.
Desta vez, ele salvaria Marcelo?
Ele não respondeu imediatamente a Estefânia.
Ao invés disso, levantou-a gentilmente do chão. “Quando acontece alguma coisa, tudo o que você faz é chorar.”
“Eu não tive outra escolha.” Ela segurou firmemente o braço de Péricles, com os olhos cheios de lágrimas. “Péricles, você pode impor suas condições, não vou pensar que está se aproveitando da situação. Desde que você salve Marcelo, eu concordarei com qualquer coisa.”
Péricles olhou para os olhos dela, vermelhos de tanto chorar.
Levantou o dedo e enxugou delicadamente as lágrimas do rosto dela, perguntando meio sério, meio brincando: “Qualquer condição mesmo?”
“Sim, qualquer coisa, desde que eu possa cumprir.” Ela chorava, esperando ouvir a resposta dele.
“Nem o divórcio, nem ver Leonel, nem mesmo ter um filho comigo? Isso também?” Ele lançou as três condições que sabia serem as mais difíceis para Estefânia aceitar.
Ela não tinha escolha.
Marcelo precisava do sangue para sobreviver.
Ela prometera que aceitaria qualquer exigência e não se queixaria.
“Sim, tudo o que você quiser, Péricles. Você pode salvar o Marcelo?”
O peito dele se encheu de sentimentos contraditórios.
Ele acariciou os cabelos dela e se levantou. “Está bem.”
Ele saiu da sala de coleta de sangue com o rosto pálido, mal conseguindo ficar de pé.
Mas mesmo com a transfusão, Marcelo ainda não havia sido salvo do limiar da morte.
Ele continuava lutando entre a vida e a morte.
O sangramento insistia em não parar.
O médico saiu para dar o boletim médico grave.
A mão de Estefânia tremia tanto ao assinar que a assinatura ficou totalmente torta.
“Doutor, meu irmão não vai morrer, não é? Vocês vão conseguir salvá-lo, não vão?”
O médico não lhe deu uma resposta direta, apenas disse: “Faremos o possível.”
O relógio no corredor marcava os minutos e segundos, tic-tac, tic-tac.
Parecia o badalar de um sino fúnebre.
O coração de Estefânia doía tanto que ela mal conseguia respirar.
Ela rezava para que Marcelo sobrevivesse, mesmo que perdesse um braço ou uma perna, só queria que ele vivesse, só isso.

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