Flávia sentou na cadeira, encarando o chão com um olhar oco.
Vez ou outra, Valentino levantava o relógio para olhar as horas e, a cada vez, enrugava ainda mais a testa.
Um grupo de médicos adentrou a passos apressados na UTI, de cara fechada.
As pernas de Dona Helena fraquejaram e ela caiu sentada no chão. Os fios soltos do cabelo grudaram no rosto desarrumado. Não restava nada da postura imponente que ela tinha como mulher rica.
Valentino puxou um dos médicos e perguntou friamente: — O que está acontecendo?
O médico nem tinha tempo para se explicar com Valentino. Salvar vidas era correr contra o relógio, um minuto a mais e tudo poderia acabar de um jeito bem diferente.
Ele puxou seu braço da mão de Valentino e entrou na UTI.
Flávia se levantou, foi até a porta e tentou espiar pelo vidro, querendo descobrir o que houve com Dona Maíra.
A junta médica formou uma roda ao redor da paciente e ela não pôde enxergar nada.
Os médicos submeteram Dona Maíra a uma rodada de exames. Vinte minutos depois.
O médico saiu.
Flávia apertou a pele com força com as unhas. Seu coração batia a mil por hora e ela temia até o fundo da alma ouvir alguma má notícia.
— Doutor, como a avó está?
Dona Helena se aproximou, amparada por Valentino, tomada de nervosismo.
Mesmo Valentino, que quase nunca demonstrava nervosismo, também parecia muito preocupado.
— Sr. Monteiro, a paciente acordou. Só que o estado dela ainda é bem fraco. Há riscos de outra hemorragia cerebral a qualquer momento. Precisamos continuar em observação na UTI.
Flávia suspirou aliviada e chegou a chorar de pura emoção.
Dona Helena juntou as palmas das mãos e resmungou: — Deus tem olhos, Deus tem olhos. Graças a Deus.
A testa enrugada de Valentino relaxou e ele prontamente ligou para o celular de Tiago para lhe contar as boas novas.

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