A primeira a entrar foi Dona Helena. Ela colocou a roupa especial de visitação da UTI, as pantufas cirúrgicas, a touca e a máscara, e em seguida higienizou-se.
Depois de entrar, Dona Helena não parava de chorar. Ela segurou a mão da Dona Maíra e recordava o passado o tempo todo.
Parando para pensar, a idosa havia sido boa com ela. Desde que não causasse problemas para a família, a mulher nunca se metia em sua vida.
Ela só interferia quando a via sendo severa demais com Flávia.
— Mãe, se você acordar, eu obedeço tudo o que me pedir. Mesmo que queira que o Valentino se case com a Flávia de novo, eu concordo.
Ela disse um monte de coisas, engasgada pelo choro, mas Dona Maíra não demonstrou nenhuma reação.
— Mãe, acorda rápido. A família não sobrevive sem você.
Após passados os dez minutos, ela enxugou as lágrimas dos olhos e saiu da UTI.
Valentino já estava vestido e higienizado. Ele deu um passo para entrar.
Franzindo as sobrancelhas, suas mãos no bolso se fecharam em punhos enquanto seu olhar fixava na pessoa da cama.
Ainda há pouco, Dona Helena estava sentada ao lado da cama, e eles até conseguiam deduzir uma palavra ou outra pelos movimentos dos seus lábios.
Mas Valentino ficou de costas para todo mundo o tempo todo, ninguém sabia o que ele tinha dito para Dona Maíra.
Ao sair, Valentino não viu sinal do Tiago. — Cadê o Tiago?
— Sem cara para ver a velha senhora, ele foi se esconder no banheiro. — Dona Helena explicou.
— Vai você primeiro. — Valentino disse para Flávia.
Flávia hesitou por dois segundos. De qualquer jeito, Tiago era da família Monteiro. — Deixa o Tiago ir primeiro.
— Anda logo, não temos tempo.
Os dedos de Flávia encolheram, entendendo que ele falava do período crítico das setenta e duas horas.
Sem falar mais nada, ela foi vestir a roupa e se desinfetar antes de entrar na UTI.


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